sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pingos de emoção

Imagem retirada da net
De madrugada, os pingos da chuva teimavam em cair cada vez com mais intensidade ... olhei para o relógio ... era cedo, demasiado cedo ... mas teria que sair de casa ... dali há duas horas e meia estaria a entrar no emprego ... sai de casa, olhei para o céu estava escuro, olhei para o chão água para todo o lado ... na rua ninguém ... apressada ... cheia de sacos, corri para o carro, com a chuva a cair sobre o meu corpo, o meu cabelo molhado, o meu rosto ... o que me importava ... às vezes de madrugada, quando saia de casa, sentava-me ao volante, olhava para o relógio e ligava o auto-rádio pensava ... Será que esta vida assim faz sentido? Algum sentido?
Nos dias de Inverno, de chuva, ao cair dos pingos da chuva ... sinto saltar em mim um recanbolesco mar de emoções ... dias de chuva são dias tristes, melancolicos que nos fazem pensar ainda mais no sentido disto tudo ... dias em que tudo parece tão sem sentido, em que parecemos fantoches manipulados por uma qualquer companhia de teatro de robertos ...
Liguei a ignição e lá fui para mais um dia de trabalho ... longo ... demasiado longo ... voltarei a casa passadas 16horas ...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Escreves-te ...



Ontem ao abrir o meu mail deparei-me com uma mensagem tua, amiga! Obrigada pelas tuas palavras ... sabes que atravesso uma fase complicada no meu emprego ... mas as palavras que me deixaste, fez saltar umas lágrimas e rolarem pelo meu rosto ...
Dizes que sou especial ... se calhar sou... como tu também o és ... especiais porque somos genuínas, sinceras, fazendo valer os nossos princípios e ideais ... às vezes tentam humilhar-nos e pensamos ser as piores pessoas do mundo, perdendo a nossa auto-estima, relativando o nosso valor ... mas fazem-nos isso porque somos diferentes, fazemos a diferença e incomodamos e... quem incomoda é um alvo a abater ... Sabes, às vezes é preciso serem os outros a dizerem-nos do nosso valor, da nossa bondade para vermos quem somos realmente, para pensarmos que não somos nós que estamos erradas ... O verdadeiro sentido da amizade é mesmo este, o da entre-ajuda, da camaradagem, da partilha, do sorrir, do chorar ... tentaram afastar-nos, tentaram que não nos conhecessemos ... mas o destino, a vida ou Deus acabou por trocar as voltas e apesar de tudo acabámo-nos por cruzar ... e a nossa amizade ficou mais forte, o que rimos às vezes com os disparates que dizemos ... conseguimos ultrapassar a boa disposição ... porque para mim a amizade não se faz tendo em conta estatutos sociais, classes, habilitações literárias, interesses financeiros e afins ... quando se é amiga é-se de coração, de alma independentemente de tudo ...e o engraçado é que acabámos por descobrir que a nossa escrita é tão semelhante ... ambas escrevemos com o coração e não com a razão e é isso que faz de nós diferentes ... uma pedra no sapato de muita gente ...
Obrigada pela tua amizade, obrigada por seres quem és, obrigada por seres genuína, autêntica e dona de um coração de ouro, obrigada por seres minha amiga!

Ennoea

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Penso em ti ...

Imagem retirada de net

Nestes dias em que me sinto triste,

em que pressinto o desabamento da minha estrutura,

da minha psique ...

Penso em ti ...

Nestes dias em que me sinto só,

desiludida, desanimada ...

em que os ideiais, valores, princípios deixaram

de fazer sentido e tudo começa a ruir à minha volta ...

Penso em ti ...

Nestes dias frios, chuvosos e escuros ...

em que nada faz sentido, sinto a tua falta,

Penso em ti ...

Sinto a minha alma abandonada e só ...

Como se estivesse à janela,

Olhando lá longe à espera que

a tua alma chegue ...

Penso em ti ...

A minha alma gostava da presença da tua,

gostava dos longos passeios que davam

pelo caminho das palavras e do pensamento ...

Penso em ti ...

por muitas razões e talvez por nenhuma ...


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sonho de menina ...


Traz ainda pendurado no seu peito como se fosse um porta retratos dos seus entes queridos o seu sonho de menina ... está prestes a fazer quarenta anos e apesar de a vida ter sido até agora um pouco madrasta para ela, contínua no fundo da sua alma a acreditar nos seus sonhos, nos seus ideais e nos seus valores ...
A sua alma de menina rebelde, meiga e controversa contínua viva, aliás bem viva dentro de si ... aquela que sempre lutará pela igualdade, pela partilha, pelo amor e pela justiça ... por mais que a tenham tentado subjugar, derrotar, nada nem ninguém faz ideia da força, da alegria, da esperança e da luz que ela tem dentro de si ...
Os anos estão a passar ... sente que perdeu muito tempo ... mas que o seu ideal, o seu sonho de um mundo melhor, o seu sonho de menina de dar a vida em prol do Outro não morreu ... está cada vez mais vivo, aceso no seu coração!


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Como um barco abandonado ....




Imagem retirada de jasmimcanela.blogspot.com
Deixei a minha alma encalhada no cais na loucura, naquela noite divagava pelo mar do pensamento, da imaginação, das quimeras e da fantasia ... Navegava por entre as águas de lodo, da penumbra, do obscuro ... pelo lado mais negro e temível da consciência e da inconsciência humana... Parei nas margens do lago e sai ... corri para terra ... para um pedaço de terra segura como se a nossa razão fosse o fundamento de toda a realidade ... Deixei a minha alma como um barco abandonado no cais da irracionalidade, num porto provisório do real ...


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A intemporalidade do tempo

http://www.marinha-grande.com/blog/tempo.jpg (Imagem retirada de)

O tempo foge, como as folhas que caem de uma árvore e voam levadas pelo vento ... O tempo urge ... parece um pouco absurdo aquilo que estou a dizer, mas os dias, as semanas, os meses, os anos vão passando tão rapidamente que nem dou por eles ... olho para trás e começo a constatar que já passaram quase quatro décadas da minha vida ... talvez, muito concretamente apenas as duas primeiras tenham tido algum resultado prático ... é ridículo, mas nestes últimos vinte anos vejo que a minha vida se tem reduzido ao trabalho, pouco à família, quase nada a mim mesma ... é estranho estar com esta conversa, mas vejo os meus dias preenchidos com papelada, com trabalho, vejo os dias a passar e constato que não vivo ... sobrevivo ... sobrevivo para ter o meu emprego que neste momento me está a pedir o impossível, sobrevivo para ganhar uns quantos euros por mês, sobrevivo para dar o meu melhor à minha família, sabendo que o amor, o carinho, a atenção é dada em contra relógio... arrasto-me ... ando ... deambulo pela vida ... tentando não pensar muito no que está a acontecer, não pensar muito que não tenho qualidade de vida nem estou a aproveitar as minhas potencialidades ... esta incongruência do tempo que nos faz cada vez menos ser humanos e cada vez mais máquinas, robots ... seres sem pensamento, seres sem crítica, sem contestação ...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Essa palavra ... tolerância ...

Retirado de welcometomypillowbook.blogspot.com

Ontem, estava eu na minha odisseia de boa mestra a fazer testes sumativos quase em série, no meio de livros, papelada e rascunhos quando deparei com este texto ... interessante, actual e pertinente .... decidi partilhá-lo ...

“Na sua obra fundamental, Sobre a Liberdade, John Stuart Mill, escreveu: “A humanidade tem mais em lucrar aceitando que cada um viva como bem lhe parece do que compelindo cada um a viver como bem parece aos outros.” Esta observação contém um número significativo de implicações. Define uma pessoa intolerante como aquela que deseja que os outros vivam como ela pensa que devem viver, e que procura impor aos outros as suas práticas e as suas crenças. Diz que a comunidade humana beneficia por permitir que floresça uma variedade de estilos de vida, porque estes representam experiências a partir das quais muito se pode aprender sobre o modo de lidar com a condição humana. E reitera a premissa de que ninguém tem o direito de dizer a outrem como deve ser ou agir, desde que tal modo de ser e de agir não prejudique os outros. Estes são os princípios do liberalismo, palavra maldita para aqueles que temem que, a menos, que haja um domínio apertado sobre os pensamentos e instintos humanos, a terra se abrirá e dela sairão demónios. Contudo, a tolerância é não só a pedra de toque, mas também o paradoxo do liberalismo. Porque o liberalismo exige a tolerância de pontos de vista opostos e permite que estes se afirmem, deixando ao confronto democrático das ideias decidir qual vencerá. O resultado é muitas vezes a morte da própria tolerância, porque aqueles que vivem por princípios rígidos e por leis intransigentes em matéria de política, moral e religião, assim têm a mínima oportunidade, silenciam os liberais, pois o liberalismo, pela sua natureza, ameaça a hegemonia que pretendem impor.”
A.C. Grayling, The Meaning of Things, Blackwell’s Publishers, 2001.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A intimidade na amizade ....

http://najasmin.no.sapo.pt/amizade.gif - Foto retirada de



"Ele encontrou alguém com quem pode falar, pensei. E eu também, pensei a seguir. No momento em que um homem começa a falar de sexo a outro, está a dizer alguma coisa acerca de ambos. Noventa por cento das vezes isso não acontece, e talvez seja melhor que não aconteça, mas se não conseguirmos alcançar um certo grau de franqueza no que respeita a sexo e optamos por proceder como se nem sequer pensássemos nisso, então a amizade masculina é incompleta. A maioria dos homens nunca encontra um amigo assim. Não é comum. Mas quando acontece, quando dois homens se descobrem de acordo sobre esta parte essencial de ser um homem, sem medo de serem julgados, aviltados, invejados ou dominados, seguros de que a sua confiança não será traída, a sua relação humana pode tornar-se muito forte e nascer uma intimidade inesperada." Philip Roth, in "A Mancha Humana"

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Negras desilusões

Retirado do site www.olhares.com
No fundo do nosso ser acreditamos sempre na pura essência do ser humano, pensamos que afinal Rousseau tinha razão e que o homem é bom por natureza, sendo a culpada a sociedade que o corrompe ... mas será isso verdade?
Actualmente, ao olhar para a sociedade, para a forma como as pessoas lidam umas com as outras, para as suas relações ... acabo por pensar que sou uma idealista, uma utópica ... sim, talvez para alguns seja ingénua .. mas não me considero de todo ... Acreditava no altruísmo, na bondade inerente ao ser humano, no dar e no receber, no amar só por amar ... mas infelizmente essa réstia de esperança que mantinha por uma determinada quantidade de seres humanos tem vindo a dissipar-se ... cada vez mais, para sofrimento meu, pois ao constatarmos a verdadeira realidade, a queda das nossas ideologias acabo por dar razão a Thomas Hobbes - "O homem é o lobo do homem." Uma visão cruel, fria que não queremos acreditar que exista, mas em tempos de crise, em alturas que a disputa existe o que salta no ser humano não é o seu melhor ... é o seu pior ... o egoísmo, a individualidade, a competição ... a solidariedade é uma palavra esquecida de um velho dicionário ...
Talvez, por isso me sinta um anjo caído, uma dor enorme, uma desilusão bem negra ... não sou melhor nem pior que ninguém, mas ainda consigo ser eticamente e humanamente correcta ...

sábado, 11 de outubro de 2008

Quem me dera ...


Quem me dera estar neste jardim a descansar ... a pensar... a ler ... no entanto, neste fim de semana como em todos ando numa roda viva ... apoiar a filha, dar atenção à mãe, fazer de enfermeira ao marido ... casa para arrumar ... testes diagnósticos para ver ... aulas para preparar, planificações de aulas e para terminar ... o raio dos Objectivos Individuais do Professor para fazer ... Quem disse que fim de semana era descanso? Eu não ...
Ai ... quem me dera ...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Vida de professora ....


Será que pensam que não temos família, vida própria? Será que querem que casemos com a profissão?
Sinto-me desiludida ... com todo o sistema ... será que querem matar o nosso gosto pelo ensino? Será?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Adeus, Pai! Não ... até breve ...!


Foto retirada da net
Já passaram dois anos que partiste ... mas contínuo a sentir a tua falta, a ouvir a tua voz, a apertar a tua mão ... partiste tão depressa ... contínua a persistir em mim esta mágoa de não me ter despedido de ti!
Quando entro em tua casa, ainda vou direitinha à sala esperando que estejas sentado no teu sofá a ver o Telejornal ... jamais esquecerei o teu último conselho ... recordou-me dele todos os dias ... como me recordo de ti ...
Contínuo a acreditar que andas numa longa viagem ... para manter um pouco a minha sanidade mental ... e a vida tornar-se um pouco melhor ...
Escrevo ... desde que partiste comecei a escrever , escrevo para ti, para estar contigo, para falar contigo ... gosto de escrever como tu gostavas ... e o que faço é para ti ...
Sinto saudades ... de ti, se sinto ... mas contínuo a manter acesa a chama da tua presença e do teu amor no meu coração e no pensamento ...
Adeus, Pai ... Não ... até breve ...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Orgulho de ser mãe (V)

Depois do veredicto ... caiu-nos o mundo em cima ... sabia que algo não estava bem ... mas nunca pensei que fosse paralisia ... a minha filhota iniciou então terapia ocupacional no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, continuou com a natação e sem qualquer ajuda ... contactei a equipa de Ensino Especial da zona onde moro e sem qualquer documentação fizeram uma avaliação e enviaram uma educadora de Ensino Especial para o colégio que ela frequentava. A minha filha tinha três anos nessa altura e tinha começado a andar ... três anos que poderiam ter sido melhor aproveitados senão tivesse andado de um lado para o outro ... Felizmente a equipa de Ensino Especial foi espectacular, a educadora também e o colégio foi o único entre tantos que corri que a aceitou ... Aceitou-a de fraldas, a andar mal ... pois andava e caia ... às directoras, às auxiliares e educadoras tenho de agradecer a forma carinhosa e sem preconceitos como a ceitaram a minha filha ... No entanto, na Maternidade Alfredo da Costa quando confrontei o Neuropediatra e o Pediatra de Desenvolvimento com a verdade ... ficaram escandalizados e diziam que "Paralisia Cerebral ... era um bicho papão ...", mas no entanto ficaram boquiabertos quando viram a minha pequenita a andar ... um deles até disse que era milagre ... Havia aqui algo que não batia certo ... havia ... e o nome chamava-se negligência e fizeram tudo para não lhes colocar um processo em cima ... pois é ... e passado três anos já era ... Chocados ... não fiquem ... infelizmente é o prato corrente em muitos casos ... (mais tarde ficarão a saber porque ...).


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Orgulho de ser mãe (IV)


A verdade ... a terrível verdade tinha e tem por nome "Paralisia Cerebral". Mas o que significava este nome?
Procurei em livros e eis o que encontrei ...


A Paralisia cerebral (P.C.) é uma doença irreversível que acomete o Sistema Nervoso Central acarretando defeitos motores variados resultantes de lesões cerebrais. O termo "Paralisia Cerebral" tornou-se clássico, porém não é o mais adequado, já que na realidade o cérebro não se encontra paralisado, e sim impossibilitado de comandar adequadamente a função motora. O correcto seria "Doença Motora de Origem Cerebral" (D.M.O.C.), como a doença já é conhecida internacionalmente. A D.M.O.C. ou Paralisia Cerebral, pode ser causada por múltiplos factores sendo estes divididos em 3 grandes grupos: O termo paralisia cerebral remete-nos para um conjunto de distúrbios do movimento, da postura, do equilíbrio, da coordenação e/ou dos movimentos involuntários, permanente, mas não invariável, que surge antes ou depois do nascimento, nos primeiros anos de vida. Crianças cerebralmente paralisadas não conseguem controlar alguns ou todos os movimentos. Algumas têm dificuldades em falar, andar ou usar as mãos. Umas serão capazes de sentar sem suporte ou ajuda, enquanto outras necessitarão de ajuda para maioria das tarefas da vida diária. A denominação paralisia cerebral não é totalmente satisfatória, pois a maioria dos pacientes não apresenta paralisia. Muitas vezes, os autores falam em “paralisias cerebrais” pela diversidade de manifestações que compreende. Alguns autores preferem utilizar a denominação Dismotria Cerebral Ontogenética. Crianças com paralisia cerebral podem apresentar alterações que variam desde uma leve falta de coordenação dos movimentos, ou uma maneira diferente pra andar, até a inabilidade para segurar um objecto, falar ou deglutir, nos casos mais graves.
I- Factores Pré-Natais -> São aqueles que aparecem antes do nascimento e citamos como principais causas: Alterações genéticas e/ou congênitas, sendo as mais importantes doenças infecciosas contraídas durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola, citomegalus vírus, herpes vírus, sífilis), exposição prolongada e inadequada aos Raios-X, uso de drogas e/ou álcool durante a gravidez, hidrocefalia, hemorragias do período gestacional, eclâmpsia, diabetes gravídica, etc.
II- Factores pré-natais -> Os problemas seriam causados por complicações ocorridas no momento do parto, que causariam sofrimento fetal com baixa oxigenação cerebral e conseqüente lesão do S.N.C.
III- Factores Pós-Natais -> Ocorrem após o nascimento da criança e secundariamente a processos infecciosos do sistema nervoso central , principalmente encefalites e meningites, abscessos cerebrais, traumatismos cranianos, dentre outros.
Devido às deficiências motoras, os portadores de PC apresentam uma imobilidade variável de acordo com a gravidade do quadro. Esta imobilidade pode causar alterações de coluna, acúmulo de secreções respiratórias, prisão de ventre, etc. Com o organismo debilitado, os doentes contraem infecções mais facilmente do que as pessoas saudáveis, e as doenças comuns da infância podem ser fatais aos portadores de PC, caso eles não recebam atendimento médico adequado. Como a maioria dos pacientes não fala, há uma dificuldade maior neste atendimento.Além dos problemas já citados, muitos apresentam crises convulsivas-epilepsia e alguns têm crises de agitação psicomotora, hetero e/ou auto-agressividade, depressão, exigindo cuidados maiores para evitar que se magoem.Quanto à cognição, muitos possuem inteligência normal, mas não conseguem expressá-la adequadamente devido às dificuldades de linguagem,e, portanto, estes entendem tudo o que se passa à sua volta e consigo mesmos, sem poder se comunicar.

Existem vários tipos de paralisia cerebral, de acordo com a alteração de movimento que predomina. Formas mistas também são observadas. Os tipos mais conhecidos são:• Espástica: é a forma mais comum. Ocorre quando a lesão está localizada na área responsável pelo início dos movimentos voluntários, no trato piramidal, o tônus muscular é aumentado, isto é, os músculos são tensos e os reflexos são exacerbados. (Este é o caso do nosso grupo)• Discinética: ocorre quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento, no trato extrapiramidal; a criança apresenta movimentos involuntários (que estão fora de seu controle) e os movimentos voluntários apresentam-se prejudicados.• Atáxica: está relacionada com lesões cerebelares. Como a função principal do cerebelo é controlar o equilíbrio e coordenar os movimentos. As crianças com lesão cerebelar apresentam ataxia – marcha pouco firme, por causa da deficiência de equilíbrio – e falta de coordenação motora, com incapacidade para realizar movimentos alternados rápidos e dificuldade para atingir um alvo. Há hipotonia muscular no momento do nascimento e retardo das habilidades motoras e verbais.


Orgulho de ser mãe (III)

Imagem retirada da net

Comecei com o decorrer dos meses a verificar que existiam uma série de coisas não batiam certo com a minha filha, fui a vários médicos, especialistas, sendo a postura de todos a de aguardar, a de que era um mero atraso motor, mesmo preguiça ... desesperada ... dividia-me entre dois empregos, imponha-me em casa pois o pai inicialmente achava que era a paranóia da mãe inventar doenças à filha ... mas na realidade com dois anos ela não andava, não segurava bem o tronco e babava-se continuamente ... Uma mãe durante uma aula de natação falou-me do Centro de Paralisia Cerebral da Gulbenkian ... liguei para lá ... eram necessários relatórios ... ninguém os queria passar ... era demasiada responsabilidade ... restava-me o livro rosa ... Mas, com quem luta sempre consegue, quem não desiste há sempre uma porta que se abre ... houve uma médica que acabou por enviar a minha filhota para o Hospital Fernando Fonseca, para a Consulta de Fisiatria e nessa consulta foi enviada para o Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão com urgência ... no espaço de um mês tinha consulta ... afinal eu não estava enganada algo se passava ... o meu instinto de mãe não tinha falhado ... infelizmente ... quem me dera que o tivesse feito ... mas não ... estava perto de saber a verdade ... a terrível verdade ... (Continua)