Orgulho de ser mãe (I)

Imagem retirada da net
Depois de tudo o que passei durante estes anos, depois da dor, da tristeza, da mágoa da traição que a vida me pregou ... sinto orgulho, sim ... olho para a minha filha e sinto orgulho na pequena mulherzinha que ela se tornou ...
A vida tem sido amarga e triste para ambas ... quando engravidamos pensamos que tudo vai correr bem, idealizamos quase inconscientemente o nosso ideal de filho(a) e esperamos que ele nasça ... Nunca pensei sinceramente se preferia ter um rapaz ou uma rapariga, nunca me preocupei sequer com o seu nome, bastava-me vir saudável, bem ... mas como a vida é traiçoeira e quando tudo parecia correr bem algo falhou ... e infelizmente foi no momento do parto ... as coisas correram mal para mim e para ele(a) ... dois dias à espera de vir ao mundo ... dois dias que quase foram fatais ... dois dias porque estava enrolado(a) no cordão umbilical ...
Ambas não partimos deste mundo porque não tinha que ser ... a minha filha (é uma rapariga) nasceu apenas com 30 segundos de vida, quase por milagre estava a equipa de pediatria na urgência ... não por mim, mas por outra mãe ... Fui proibida de vê-la nas primeiras 24horas de vida, não sabia se ela era viva ou morta, apenas tinha visto a minha bébe a nascer roxa, sem chorar como um bocado de carne que cai em cima de algo ... jamais esquecerei esta imagem ... jamais esquecerei a fotografia que me entregaram com a minha filha toda entubada ... tinhas apenas 4 horas de vida ...
Sim ... sinto orgulho ... na minha filhota pela força que ela teve ao enfrentar a morte no momento em que nasceu ... sim ... sinto orgulho pelo seu sorriso e ar feliz ... sinto orgulho porque anda, fala e é uma criança inteligente ... Passei muito, chorei muito, houve dias que achei que era a pior mãe do mundo, a pior pessoa ... porque me tinha acontecido aquilo a mim? No primeiro mês de vida, a minha filha viveu no hospital ... não chorava, não mamava, apenas tomada doses excessivas de calmantes para não voltar a ter convulsões ... após vinte seis dias de vida chorou pela primeira vez e eu não estava lá ... após dois dias do parto fui enviada para casa e devido a um problema de saúde crónica passados quinze dias adoeci ... uma no hospital ... outra em casa ...
Apenas o que me diziam é que o minímo que podia acontecer à minha filha era ter um problema mental ... achei que Deus se tinha esquecido de mim ... achei que era a mulher mais pecadora deste mundo ... que o mundo tinha caído na minha cabeça, que tudo se tinha desmoronado ... mas no fundo tinha esperança ... restava uma luz de esperança ...
(Continua...)

Comentários

Sandra disse…
Amiga, tens razão para ter orgulho nela...é uma miúda especial, como a mãe...bjs
ennoea disse…
obrigado, minha Linda!
Também tu és especial!
Beijokas
Pandora disse…
Muito comovente emocionante a tua história. espero ler um final feliz.
ennoea disse…
O final ainda não chegou ... vou construindo um dia de cada vez!
Beijinhos

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