sexta-feira, 30 de maio de 2008

A carta da paixão

(Foto retirada da net)


"Esta mão que escreve a ardente melancolia

da idade

é a mesma que se move entre as nascentes da

cabeça,

que à imagem do mundo aberta de têmpora

a têmpora

ateia a sumptuosidade do coração.

A demência lavra

a sua queimadura desde os recessos negros

onde

se formam

as estações até ao cimo,

nas sedas que se escoam com a largura

fluvial

da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas

e o silêncio todo branco.

Os dedos.

A montanha desloca-se sobre o coração que se

alumia: a língua

alumia-se. O mel escurece dentro da veia

jugular talhando

a garganta. Nesta mão que escreve afunda-s

ea lua, e de alto a baixo, em tuas grutas

obscuras, a lua

tece as ramas de um sangue mais salgado

e profundo. E o marfim amadurece na terra

como uma constelação. O dia leva-o, a noite

traz para junto da cabeça: essa raiz de osso

vivo. A idade que escrevo

escreve-se

num braço fincado em ti, uma veia

dentro

da tua árvore. Ou um filão ardido de ponta a ponta

da figura cavada

no espelho. Ou ainda a fenda

na fronte por onde começa a estrela animal.

Queima-te a espaçosa

desarrumação das imagens. E trabalha em ti

o suspiro do sangue curvo, um alimento

violento cheio

da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força

desde a raiz

dos braços, a força

manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda

fechada, a límpida

ferida que me atravessa desde essa tua leveza

sombria como uma dança até

ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma

estação é lenta quando te acrescentas ne desordem,

nenhum

astro

é tão feroz agarrando toda a cama. Os poros

do teu vestido.

As palavras que escrevo correndo

entre a limalha. A tua boca como um buraco

luminoso,

arterial.

E o grande lugar anatómico em que pulsas como

um lençol lavrado.

A paixão é voraz, o silêncio

alimenta-se

fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te

toda

no cometa que te envolve as ancas como um beijo.

Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que

crescem

nos quartos.

É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a

entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel

relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta

pelo meio

o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras

um pouco loucas

engolfadas, entre as mãos sumptuosas.

A doçura mata.

A luz salta às golfadas.

A terra é alta.

Tu és o nó de sangue que me sufoca.

Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões

da madeira fria. És uma faca cravada na minha

vida secreta. E como estrelas duplas

consanguíneas, luzimos de um para o outro

nas trevas."

quarta-feira, 28 de maio de 2008

À procura de mim ...

(Imagem retirada da net)




Ando em busca de um sentido de vida, nem sei muito bem se é este que quero ou não quero; se é este caminho a tomar ou outro ...

Numa dissecação das memórias, das recordações, das vivências, dos meus sentires ...

Sonhos ...

Klimt
Dentro do baú guardei os meus sonhos de adolescente ... guardei como pedras preciosas essas quimeras de minha alma ... não sonhava ser a princesa de um conto de fadas, nem tão pouco encontrar o princípe encantado ... não sonhava ser rica nem o tal "happy end" ... feliz para sempre!
Sonhava com amor ... sim ... com paz ... com a realização profissional, com uma vida estável ... sonhava com saúde ... e o que tenho disto ... nada!!!!
Olho para a minha vida e vejo estes sonhos por realizar, vejo a minha vida como algo sempre em suspenso ... vejo-me deformada ...como mulher .... o que tenho .. nada ... olho para as minhas mãos e elas estão vazias!!! Sonhos, quimeras ... a vida é apenas isto?







segunda-feira, 26 de maio de 2008

Moldar ... moldar-me ...

(Imagem retirada da net)

" Os carpinteiros modelam a madeira; os frecheiros modelam as setas; os sábios modelam-se a si próprios." BUDA


domingo, 25 de maio de 2008

O bem e o mal onde eles se encontram?





O bem e o mal encontram-se gravados nos nossos genes, a moralidade, a bondade , a empatia como a violência, a selvajaria, a ferocidade podem encontrar-se na maior diversidade da espécie humana. Tudo isto poderá coexistir na mente humana, mente sã ou na plena insanidade mental.
O ser humano é um espécie capaz de uma bondade extrema, cuidamos uns dos outros, amamos, choramos, doamos órgãos … mas simultaneamente matamo-nos uns aos outros. Não é necessário referir aqui os diversos crimes que são feitos contra a humanidade! Somos a espécie mais inteligente, mas também a mais cruel e sanguinária, uma contradição e uma vergonha. Somos a única espécie com linguagem, a usar instrumentos … mas o que nos devia separar das outras espécies deveria ser o sentido da moralidade, o tal entendimento entre o bem e o mal, o certo e o errado, a dor do outro … poderá ser difícil conceptualizarmos a verdadeiro sentido de moralidade mas adquirimo-lo desde a nossa infância, poderão afirmar que está relacionado com a educação, com a sociedade mas o nosso comportamento moral é muito disperso, muitas das vez até intuitivo. Mas donde vêm essas intuições?
O fenómeno mais profundo onde reside a moralidade é a empatia e a compreensão de que aquilo que me magoa também te magoa a ti. Mas apesar de termos quase intuitivamente, instintivamente essa noção de moralidade é a comunidade que lhe dá sentido, são as pessoas que nos rodeiam que nos passam esse ensinamento. As comunidade humanas impõem os seus próprios deveres, mas estes podem variar radicalmente de cultura para cultura.
Outro exemplo que possuímos é o código moral de um grupo e um dos instrumentos mais poderosos é a prática da rejeição. Se a pertença a uma tribo é a maneira de assegurarmos alimentos, família, protecção; ser rejeitado pode ser terrível.
Cabe-nos agora questionar, porque pisamos o risco, porque nos tornamos maus?
Claro está que há as pequenas maldades, os pequenos actos de insanidade; no entanto, há situações de insanidade mental e de comportamentos desviantes que são graves e são crime.
Um dos factores poderá ser lesões a nível neurológico, como o caso de Phineas Gage, ferido num acidente ferroviário que após o mesmo começou a ter mudanças de personalidade ( vide obra de António Damásio). Questionar-se-à se os assassínios, os serial killers, ou pessoas com tendências maquiavélicas não terão alguma parte do seu cérebro afectada, por exemplo na amígdala( estrutura que nos ajuda a fazer a ligação entre os actos maus e a punição).
Outra noção presente é a do Outro, isto é, a linha separadora entre quem é próximo e quem é estranho. Por exemplo, um assassínio em série é capaz de matar atrozmente mas preserva a sua família.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

A descoberta ...


A descoberta do nosso verdadeiro Eu sem incrustrações do passado e de pré-concepções é um dos processos mais maravilhosos que podemos ter!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Exausta ...

(Foto retirada da net)




Sinto-me exausta, cansada, cheia de trabalho, testes e mais testes para corrigir, com imensos livros para ler mas cheia de projectos...

hoje apetecia-me enroscar-me na areia, a sentir o Sol tocar na minha pele e ouvir lá longe o som do mar ... nostálgico ...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Explosão

(Foto retirada da net)

Fragmentos de uma explosão na minha mente ...

Uma renovação de ideias e de projectos virá ...

Agora é momento de destruir ideias pré-concebidas

e ir em frente ...


terça-feira, 13 de maio de 2008

Ar fresco ...

(Foto retirada da net)


Uma lufada de ar fresco na minha vida ... sim a Filosofia voltou a dar-me um novo ânimo à minha vida, aos meus projectos, ao conhecimento do meu próprio Ser e saber o que quero e não quero do presente do meu viver.

Como há vinte anos atrás, a Filosofia voltou a marcar a diferença na minha vida e a despertar-me do estado amorfo e de hibernação em que me encontrava ... curioso, sem dúvida! Não numa perspectiva existencialista e questionante da realidade, mas de Vontade e de determinação do meu próprio Eu! Sim, afinal "o que é que eu quero da minha vida?"

Esta lufada de ar fresco faz-me sentir Eu, "dona e senhora do meu Destino", quem não quiser paciência ...

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A um amante desconhecido

(Foto retirada da net)

Amante, amado, amigo

Como se pudessemos ser amigos e amantes?

Entre a procura e o encontro ...

Entre a felicidade e a raiva ...

Entre o amor e o ódio ...

Esta disparidade de sentires contrários

procuro um amante desconhecido ...

Um amante, amado

que me complete,

o meu outro lado,

o reverso do espelho,

a outra-face.

Amante, amado,

a eterna procura pela alma gêmea

(Se é que ela existe?),

pelo complemento do Eu, da pessoa,

do próprio Ser como se

de um puzzle se tratasse.

Amante ...

que solte a Loucura reprimida,

que solte a alma presa,

acorrentada ... porque a Vida

é mais que Química,
é mais que meros talvez ...
é mais do que simples emoções ...
é SIM ou NÃO,
é Verdade.
Procuro-te nesta nebluosidade
existencial como se aguardasse
pela vinda de um D. Sebastião quimérico ou
de um Quinto Império pessoano
utopia talvez ...
por isso ... ainda contínuo a acreditar
que tu existes ...
amante desconhecido.


quinta-feira, 8 de maio de 2008

Anjo, precisa-se ...

(Foto retirada da net)




Nunca acreditei em anjos...

Nunca pensei em anjos da guarda ...

Mas, neste momento da minha vida só

mesmo um anjo me puderá dar a mão ...

Palavras ...

(Foto retirada da net)
Só palavras de ódio, de rancor e de revolta ...
Palavras que me magoam ...
Palavras mentirosas ...
Palavras manipuladas ...
Prefiro o silêncio ao ódio das palavras ...

Confiar ...

(Foto retirada da net)

Chegámos à conclusão, triste e dura, que não podemos acreditar e confiar em ninguém, nem mesmo naqueles que nos estão mais próximos. Será que todos os seres humanos jogam com uma segunda intenção? Todos? Até aqueles que dizem que nos amam e nos querem bem? Todos, sem excepção?


quarta-feira, 7 de maio de 2008

No fim da linha ...

(Foto retirada da net)


Sinto-me no fim da linha da minha sanidade mental ... estou a caminhar o muro ténue entre o racional e o irracional ... não sei quanto tempo aguentarei este caos que se instalou na minha vida nestes últimos dias? Não sei quanto tempo aguentarei sem fazer o maior dos disparates ou o maior dos bens para mim mesma? Sinto-me a enlouquecer ... tenho medo do que me tem passado pela cabeça ... tenho medo de mim mesma ... estou a chegar ao fim da linha ... não sei se consigo suportar mais isto tudo que me está a acontecer?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Destroços ...

(Munch - retirado da Net)
Da minha vida, pedaços, retalhos, fragmentos ... memórias, recordações ...
cansada da vida, farta de existir ... não sei quanto tempo aguentarei suportar este fardo ... não sei ... mais um dia ... mais uma semana ... mais um mês ... sinto-me a esgotar ... sinto-me a chegar ao fim da linha ...


Cansada ...

( Munch, O grito)

de existir ...


domingo, 4 de maio de 2008

SÓ POR ISSO, MÃE

(La pasió de Miguel Angel)


"Mesmo que a noite esteja escura,

Ou por isso,

Quero acender a minha estrela.




Mesmo que o mar esteja morto,

Ou por isso,

Quero enfunar a minha vela.



Mesmo que a vida esteja nua,

Ou por isso,

Quero vestir-lhe o meu poema.



Só porque tu existes,

Vale a pena! "


Lopes Morgado, Mulher Mãe
Apesar de existirem dias em que me magoas tanto ...
e ainda dizes que me amas?
Porque me fazes isso, mãe?
Porquê...? Por amor?
... às vezes não te entendo ...
mas apesar das lágrimas que me fazes
derramar ... vale a pena existires,
és a minha mãe ...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Dançar ...

(Matisse)

Dançar ...

Por entre a floresta dos desejos,

Por entre o mar das ilusões,

Por entre a atmosfera das alquimias

Dançar ...

Sentindo a leveza da existência,

Sentindo a comunhão da Alma,

Sentindo o toque da emoção

Dançar ...

como as valquírias das tragédias gregas,

como as bacantes fugazes,

como as ninfas inspiradoras do Tejo

Dançar...

e ser deusa,

musa,

ou humana

Dançar ...

somente para ti ...


quinta-feira, 1 de maio de 2008

Se, de repente, alguém te disser ...

(Klimt, O Beijo)

Se, de repente, alguém te disser ...

o que jamais esperarias ouvir

dessa boca, não sei o que pensarias ...

Se, de repente, alguém te disser...

AMO-TE,

amo-te com todas as minhas forças,

com o melhor que há em mim,

da forma mais bela e pura,

que jamais pensei sentir ...

O que dirias?

Se, de repente, alguém te disser...


AMO-TE,

amo-te com a minha alma,

com todo o meu ser,

com este turbilhão de emoções,

que me faz comungar com o Universo...

O que pensarias?

Se, de repente, alguém te disser...


AMO-TE,

amo-te em Espírito e em liberdade,

sem querer nada em troca,

amo só por amar,

na essência e na ausência ...

O que sentirias?