A ETERNIDADE


"De novo me invade.

Quem? – A Eternidade.

É o mar que se vai

Como o sol que cai.

Alma sentinela,

Ensina-me o jogo

Da noite que gela

E do dia em fogo.

Das lides humanas,

Das palmas e vaias,

Já te desenganas

E no ar te espraias.

De outra nenhuma,

Brasas de cetim,

O Dever se esfuma

Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança

E não há futuro.

Ciência e paciência,

Suplício seguro.

De novo me invade.

Quem?

– A Eternidade.

É o mar que se vai

Com o sol que cai."

RIMBAUD

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