quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sagrada/Profana

(Bosch, O Jardim das Delícias)



Sei-me finita

Sei-me um ser, aqui e agora

Sei-me um instrumento

Sei que algo de sagrado

em mim se revela ...



Sou hierofania

sou uma marca da sacralidade

sou uma imanência em que

se manifesta a transcendência

Em mim contenho o

segredo da minha existência

Possuo em mim mesma

o princípio e o fim;

o nascimento e a morte;

a luz e as trevas;

o sagrado e o profano.


Em tudo o que faço

Em tudo o que sou

Em toda a minha finitude

manifesta-se a infinitude...

Em toda a minha contingência

manifesta-se a eternidade ...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Amar em silêncio ...

(Imagem retirada da net)






No silêncio da existência

ama-se ... amam-se ... amo

Para amar não é necessário

palavras, conceitos, raciocínios,

juízos, conceptualizações

Para amar não é necessário

justificações, razões prementes,

reflexões profundas e ajustadas

No silêncio da existência

ama-se ...

sente-se ...

algo que sabemos irracional,

algo que sabemos não conceptualizado,

algo que sabemos proibido,

algo que sabemos não correspondido,

É neste silêncio íntimo e profundo

que amo ... em paz, em equilíbrio,

em harmonia.

Este sentimento bonito, belo, alegre

que me faz feliz, que fez renascer

em mim um fluir de emoções,

que ressuscitou a minha criatividade,

a minha imaginação, o que de melhor

há em mim.

Amo em silêncio

como se trouxesse em meu coração

o segredo mais bem guardado da

Humanidade.

Amo em silêncio

como se tivesse em minhas mãos uma preciosidade

(este amor imenso e intenso).

Amo em silêncio ...

isso basta-me apenas ...

não peço mais ...


segunda-feira, 28 de abril de 2008

Equilibrium

(Imagem retirada da net)

Em equilíbrio assim me sinto ...

em paz, em harmonia com o cosmos,

com a Natureza, com a Vida, com a Morte

Sinto-me alegre, feliz como se comungasse com

o Universo, com o Criador, com o Infinito e com

o Indizível ...

Em equilíbrio com o meu corpo e a minha alma,

como um reencontro perdido comigo mesma ...

sinto-me em paz, sorrindo e falando comigo mesma...

em equilíbrio ...

tudo o resto são coisas vãs porque o verdadeiro sentido

das coisas é este contacto íntimo com a própria in(existência)!

Estou em equilíbrio!

IN MEMORIAM - MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

(Imagem retirada da net)
"Atque in perpetuum, frater, ave atque vale!
Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito de sabedoria antiga. E por certo a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os sinais notáveis desse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons paa que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares. Quem ama, ama só a igual, porque o faz igual com amá-lo. Como porém o homem não pode ser igual dos Deuses, pois o Destino os separou, não corre homem, nem se alteia deus pelo amor divino: estagna só deus fingido, doente da sua ficção. Não morrem jovens todos a quem os Deuses amam, senão entendendo-se por morte o acabamento do que constitui a vida. E como à vida, além da mesma vida, a constitui o instinto natural com que se a vive, os Deuses, aos que amam, matam jovens ou na vida, ou no instinto natural com que vivê-la. Uns morrem; aos outros, tirado o instinto com que vivam, pesa a vida como morte, vivem morte, morrem a vida em ela mesma. E é na juventude, quando neles desabrocha a flor fatal e única, que começam a sua morte vivida. No herói, no santo e no génio os Deuses se lembram dos homens. O herói é um homem como todos a quem coube por sorte o auxílio divino; não está nele a luz que lhe estreia a fronte, sol da glória ou luar da morte, e lhe separa o rosto dos seus pares. O santo é um homem bom a que os Deuses, por misericórdia, cegaram, para que não sofresse; cego, pode crer no bem, em si, e em Deuses melhores, pois não vê, na alma que cuida própria e nas coisas incertas que o cercam, a operação irremediável do capricho dos Deuses, o jugo superior do Destino. Os Deuses são amigos do herói, compadecem-se do santo; só ao génio, amando-o, tornam seu igual, só ao génio dão, sem que queiram, a maldição fatal do abraço de fogo com que tal o afagam. Se a quem deram a beleza, só seu atributo, castigam com a consciência da mortalidade dela; se a quem deram a ciência, seu atributo também, punem com o conhecimento do que nela há de eterna limitação; que angústias não farão pesar sobre aqueles, génios do pensamento ou da arte, a quem, tornando-os criadores, deram a sua mesma essência? Assim ao génio caberá, além da dor da morte da beleza alheia, e da mágoa de conhecer a universal ignorância, o sofrimento próprio, de se sentir par dos Deuses sendo homem, par dos homens sendo deus, êxul ao mesmo tempo em duas terras. Génio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felecidade nesta vida. Só a arte, que fez ou que sentiu, por instantes o turbou de consolação. São assim os que os Deuses fadaram seus. Nem o amor os quer, nem a esperança os busca, nem a glória os acolhe. Ou morrem jovens, ou a si mesmoa sobrevivem, íncolas da imcompreensão ou da indiferença. Este morreu jovem, porque os Deuses lhe tiveram muito amor. Mas para Sá-Carneiro, génio não só da arte mas da inovação nela, juntou-se, á indiferença que circunda os génios, o escárnio que persegue os inovadores, profetas, como Cassandra, de verdades que todos têm por mentira. In qua scribebat, barbara terra fuit. Mas, se a terra fora outra, não variara o destino. Hoje, mais que em outro tempo, qualquer previlégio é um castigo. Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza. As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até aos confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos, Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se nãoo definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim!" FERNANDO PESSOA

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Foi por ela ...


Foi por ela que os portugueses lutaram durante décadas, foi por ela que foram presos, torturados, mortos em guerras sem nexo, mutilados por uma ideologia pela qual não concordavam ... durante anos mães choraram a perca dos seus filhos, esposas sofreram a ausência dos seus esposos, crianças desconheceram seus pais ... por governantes senhores de si ... homens chegaram à sua Pátria mutilados, destroçados, traumatizados ...
Foi por ela que conseguiram libertar-se das amarras, da opressão do Fascismo, da Ditadura ... foi por ela que juntaram esforços e estiveram em união ...
Foi pela Liberdade que lutaram, foi para sermos livres de conscìência, de expressão, de pensamento ... foi por ela ...
Não deixemos passados estes anos, a Liberdade cair em falso, não deixemos perder aquilo que os nossos antepassados, os nossos avós, os nossos pais lutaram ... não nos deixemos ir na corrente, não sejamos seres acomodados e indiferentes perante o que se passa no nosso país ... seja por ela ... LIBERDADE, SEMPRE!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Quanto Mais se Ama Mais Fraco se É

(Imagem retirada da net)
Nas relações amorosas o único sentimento que não funciona é o da piedade. Quando é o caso de que se devesse manifestar, o que surge não é a piedade mas o asco ou a irritação. Eis porque em relação alguma se é tão cruel. Todos os sentimentos têm o seu contraponto. Excluída a piedade, a crueldade não o tem. Por experiência se pode saber quanto se sofre quando não se é amado. Mas isso de nada vale quando se não ama quem nos ama: é-se de pedra e implacável. Decerto, tudo se pode pedir e obter. Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas só no amor se é intolerante e cruel. Porque mostar amor a quem nos não ama rebaixa-nos a um nível de degradação. E a degradação só nos dá lástima e repulsa. A única possibilidade de se ser amado por quem nos não ama é parecer que se não ama. Então não se desce e assim o outro não sobe. E então, porque não sobe, ele tem menos apreço por si, ou seja, mais apreço pelo amante. O jogo do amor é um jogo de forças. Quanto mais se ama mais fraco se é. E em todas as situações a compaixão tem um limite. Abaixo de um certo grau a compaixão acaba e a repugnância começa. Assim, quanto mais se ama mais se baixa na escala para quem ao amor não corresponde. Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 3'

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Horizonte ...

Olhando o horizonte recordo-me de ti, recordo-me da tua presença, do teu sorriso ... olhando a Natureza, contemplando o céu, perdendo o meu olhar sobre o mar recordo-me de ti e deixou-me ficar ... nostalgica, pensativa, sorridente ... por este sentimento que guardo secretamente ... este sentimento doce, tranquilo, pacífico ... Olhando o horizonte recordo-me de ti ...

terça-feira, 22 de abril de 2008

De partida ...


Quantas vezes na nossa vida sentimos que estamos de partida. Estamos de partida porque decidimos acabar com algo que nos magoava e nos fazia sentir infelizes, estamos de partida porque alguém nos enganou e desiludiu, estamos de partida porque aquela vivência, aquela relação já não nos interessa ou simplesmente nunca teve nada em comum connosco. A vida é feita de partidas e de chegadas. De andarmos sempre em trânsito e em procura, tendo esperança que a próxima viagem seja bem melhor!
Por muita dolorosa que seja cada partida, aprendemos sempre algo ...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Nunca se perdem ...


"Há pessoas que nunca se perdem,
porque nunca se põem a caminho."
GOETHE

Não importa o caminho ...


"Diga-me, por favor, que caminho
devo seguir para sair daqui?"
"Isso depende muito do sítio para
onde queres ir", respondeu o gato.
"Pouco me importa para onde",
disse Alice.
"Então, não tem importância que
caminho segues", replicou o gato.
LEWIS CARROLL, Alice no País das Maravilhas

domingo, 20 de abril de 2008

Dois amantes

(Foto retirada da net)




"Dois amantes felizes não têm fim nem morte,nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,são eternos como é a natureza." Pablo Neruda

sábado, 19 de abril de 2008

A Felicidade


Mas só há um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. “Acho que tudo está bem”, diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo está perdido, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfação e o gosto das dores Inúteis. Faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens. Toda a alegria silenciosa de Sísifo aqui reside. O seu destino pertence-lhe. CAMUS, (O Mito de Sísifo).

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A ETERNIDADE


"De novo me invade.

Quem? – A Eternidade.

É o mar que se vai

Como o sol que cai.

Alma sentinela,

Ensina-me o jogo

Da noite que gela

E do dia em fogo.

Das lides humanas,

Das palmas e vaias,

Já te desenganas

E no ar te espraias.

De outra nenhuma,

Brasas de cetim,

O Dever se esfuma

Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança

E não há futuro.

Ciência e paciência,

Suplício seguro.

De novo me invade.

Quem?

– A Eternidade.

É o mar que se vai

Com o sol que cai."

RIMBAUD

Je t'aime



"Je t'aime pour toutes les femmes que je n'ai pas connues

Je t'aime pour tous les temps où je n'ai pas vécu

Pour l'odeur du grand large et l'odeur du pain chaud

Pour la neige qui fond pour les premières fleurs

Pour les animaux purs que l'homme n'effraie pas

Je t'aime pour aimer

Je t'aime pour toutes les femmes que je n'aime pas


Qui me reflète sinon toi-même je me vois si peu

Sans toi je ne vois rien qu'une étendue déserte

Entre autrefois et aujourd'hui

Il y a eu toutes ces morts que j'ai franchies sur de la paille

Je n'ai pas pu percer le mur de mon miroir

Il m'a fallu apprendre mot par mot la vie

Comme on oublie


Je t'aime pour ta sagesse qui n'est pas la mienne

Pour la santé

Je t'aime contre tout ce qui n'est qu'illusion

Pour ce coeur immortel que je ne détiens pas

Tu crois être le doute et tu n'es que raison

Tu es le grand soleil qui me monte à la tête

Quand je suis sûr de moi. "

- 1950


Paul Éluard, " Le Phénix "

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O absurdo

O absurdo da vida é que nunca sabemos quando termina ...
daqui a um segundo, daqui a um minuto, daqui a uma hora, daqui a uma semana,
daqui a um mês, daqui a um ano ...
Mas termina ... porque a eternidade é um passo para o abismo!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Vazio ...

Vazio ...
Sinto em meu ser um vazio ...
uma dor imensa que me corrompe
a alma, o ser ...
Só ... tão só ...
este vazio que percorre a minha vida
sinto-me um errante pelos claustros
do meu castelo de sonhos,
que se está desmorenando,
desgrenhada, louca , descalça
ando o dia todo no mesmo sítio
à procura de mim...
à procura de sentido ...
à procura de ti, minha alma ...
Este vazio, este frio
que sinto em mim ...
vazio de ti ...

Quem me dera ser ...



Quem me dera ser alquimista ... poder com fórmulas mágicas descobrir a poção milagrosa para a pseudo-felicidade. Quantos mais anos passam ... menor sentido a vida vai tendo ... menor sentido ... menor valor ... menor significado ... se eu conseguisse descobrir esse segredo tão bem guardado ... a solidão do meu ser agudiza-se, a dor da minha alma aumenta ... é o trespassar do meu ser, da minha identidade ... já nada faz sentido ... nem ninguém ... deambulo como uma louca pelas ruas, vislumbra a vida de fora, sinto o real como se fosse algo de que não fizesse parte ...
sinto-me a sufocar, sintou-me como uma prisioneira num quarto escuro sem saber para onde ir ... a minha vida é uma prisão, sinto-me presa a coisas, a pessoas que já não fazem sentido, apenas atormentam os meus fantasmas adormecidos ...
Quem me dera ser alquimista ... para descobrir o elixir da felicidade ou apenas o líquido que atenuasse esta dor ...