terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O tempo acaba o ano, o mês e a hora



O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Luís de Camões

E é com um soneto de Camões que vos desejo um Excelente Ano de 2009 cheio de Paz, Amor, Saúde e tudo o que o vosso coração desejar que se concretize! Bem-hajam!
Um enorme beijo para todos!
Ennoea

No meu lado imaginário ...

No meu lado imaginário ... ponho os pensamentos à solta, os sonhos, os delírios da imaginação , eles ao verem-se livres correm como cavalos selvagens numa pradaria. Por vezes, questionou-me se são apenas fantasias ou incrustações do meu inconsciente, de um passado remoto que ainda não descobri ... sei que necessitamos de fazer um trabalho de pesquisa, de desvelamento ao mais intímo de nós mesmos, ao fundo dos fundos e re-descobrir quem somos e fomos ... No meu lado imaginário ou inconsciente(?), fui valquiria, bacante, fada e princesa ... vivi pelos vales na Irlanda em tempos remotos, andei pelas ruas de Lisboa em pleno século XVI, estive no auge da Revolução Francesa em pleno século XVIII e vivi loucamente os intensos anos 20 ... Imaginação, ficção , delírio ou realidade? No meu lado imaginário ... a minha alma percorreu séculos de vida, de História, de tempo ...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Tal como os felinos ...

Tal como os felinos devemos andar com cuidado nesta vida, prestar atenção ao que e a quem nos rodeia, seguir de forma cautelosa, ao mínimo ruído ... escutar bem o que lá vem ... por vezes, pode ser um defeito ser desconfiado; outras vezes, uma virtude ... nunca confiar a 100% naqueles que não conhecemos bem ...
Eu, por norma tenho o costume de confiar na natureza humana, partindo do tal princípio de Rousseau de que todo o homem é bom por natureza, mas deixo sempre uma margem para umas pequenas dúvidas ... há pessoas que me têm mostrado terem um coração de ouro, outras que me têm desiludido apesar de se auto-intitularem minhas amigas ... no entanto, tenho um dom ou um defeito ... depende da perspectiva ... possuo uma excelente memória ... e jamais me esqueço até dos pequenos pormenores e quando alguém entra em contradição, quando alguém hoje me diz uma coisa e amanhã outra sobre a mesma coisa ... bingo ... apanhei a mentira , porque as pessoas esquecem-se que o tal ditado popular "Apanha-se mais depressa um mentiroso , do que um coxo." é uma verdade incondicional! E assim ... acabo por ter pena ("Temos pena!" como costumo dizer), essa pessoa meteu o pezinho na argola, comigo!
Depois há outra coisa que detesto, odeio ... alcoviteirices, coscuvelhices e ver-me metida no meio de ditos e mexericos, de pessoas que realmente não tem mesmo nada que fazer ... eu tenho que fazer e muito ... Na minha vida quotidiana, sou uma pessoa pacata, bem-disposta e em todo o lugar que vejo muito alarido, confusão e mexeriquice do diz-que-diz afastou-me, não tenho paciência para intrigas ... sempre fui assim e serei, tento medir as minhas palavras para não ser acusada de provocar boatos ou difamações. Talvez por isso, onde moro sou vista como alguém que faz a sua vida, no emprego como uma pessoa tranquila, pelos meus amigos mais íntimos como uma boa amiga ... em termos de amizade, quando as coisas não me agradam afastou-me sorrateiramente, sem palavras ou justificações ... se a pessoa não me interessa ... retirou-me em silêncio.
Na vida virtual ...aqui pela net ... já fui apanhada no meio de certos ditos e mexericos ... fiquei fula e revoltada... meterem-me em confusões, mas muito sinceramente isso só veio mostrar a verdadeira essência das pessoas como eu digo ... tenho memória de elefante a acabo por apanhar no meio disto tudo a verdade e a verdade é que as pessoas não são sinceras comigo ... Sorry ... é essa a verdade ... tenho pena é de ter perdido um amigo à conta de parvoíces em que eu nem fui perdida nem achada ... mas será que esse meu amigo me conhecia ou me conhece realmente como eu sou?
Tal como os felinos contínuo a ser um bicho solitário, que anda com precaução, sempre à escuta de o menor ruído porque mesmo cautelosa continuarei a aprender a ter cada vez mais cuidado com quem me rodeia ...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Princesa ...

Esta noite tive um sonho ...sonhei que era a tua princesa encantada ...

domingo, 21 de dezembro de 2008

Quanto amor me dás ...

Apercebo-me disso quando estou longe de casa e de ti ...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Espírito de Guerreira

Imagem retirada da net

Nestes últimos anos, tenho-me esquecido do meu espírito de guerreira ... enleada no meio de tantos problemas, discussões, prioridades ... esqueci-me da força, do poder, dos dons que tenho dentro de mim ... em adolescente era a força opressora da minha mãe que me fazia conter este vulcão que vive em mim, quando casei o tentar manter o equilíbrio entre a família (meus pais e meu marido), quando a minha filha nasceu deu-se a queda do mundo ... a sua doença ... durante uma década vive apenas para trabalhar, para ganhar dinheiro para poder dar-lhe os melhores médicos, tratamentos, medicamentos ... achava que essa missão era apenas minha e não também do pai, depois a doença e a morte de meu pai, a solidão de minha mãe que veio piorar o seu feitio, a sua possessaõ e tinha um casamento que não sabia muito bem que rumo lhe dar ...

Tornei-me frágil, alvo fácil para pessoas menos boas, precisava de sair de casa, de conversar com quem fosse, partilhei segredos com quem não devia ... esqueci-me do meu espírito forte, corajoso, de rumar em frente, de iniciativa ...

Agora ... mais calma ... mais lúcida ... faltando apenas 4 meses para chegar aos 40 anos, com a minha filhota na pré-adolescência ... procurou-me ... defino novas metas, novos objectivos, desço de forma descendente ao fundo de mim mesma à procura de quem fui em tempos, de quem eu sou, das minhas potencialidades, dos meus dons, da minha verdadeira essência ... sei que tenho em mim o poder da reestruturação, da reconstrução, do renascer das cinzas ... não me importa o que o futuro me trouxer ... se o bem ou o mal, darei a volta certamente.

Se as relações com quem me rodeiam são karmicas ou de complemento não sei ... quando tiverem de terminar ... terminarão ... e novas se inicarão ... eis o poder da luta e da reestruturação ... foi pena ter-me esquecido disto durante quase 15 anos ... mas uma nova era de poder e luz iniciar-se-à ...



sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O lado bom da vida ...

Pois é ... decidi aproveitar aquilo que tenho, aquilo que sou, a familia que me rodeia, os poucos amigos que tenho e ... viver .. o lado bom daquilo que tenho ... não significa que vou acomodar-me ao que me incomoda, mas viver mais para os meus ... viver para o que gosto de fazer ... dar valor à pessoa que sou ... porque afinal eu tenho valor ...(se calhar o problema é esse!)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Não me conhecem, afinal ...

Pintura de Klimt

A vida é como a aritmética ... é feita de somas, de subtracções, de multiplicações e de divisões ... cheguei a um momento que a futilidade, a banalidade, a hipocrisia me passa ao lado; o dito e o mexerico, as guerrinhas para ser amigo(a) de, de ser chefe de secção, de ser melhor que o outro dão-me "naúseas"( como muito bem dizia Sartre, a "naúsea existencial") ... tudo isso para mim deixou de fazer sentido ... há vida para além disso, há pessoas que precisam de nós, há metas mais humanas e importantes que podemos cumprir e alcançar ... cansei-me das mentiras, das contradicções de muita gente, se fosse de quem lido "cara a cara" na vida real, na minha familia, na minha profissão provavelmente importar-me-ia ... mas na blogesfera ... acho que já perdi um ano com gente e coisas que não merecem as minhas energias ... não falo aqui desta plataforma porque tenho o maior respeito por quem me segue aqui, admiro as pessoas que vem aqui parar amigas reais, virtuais, os meus alunos que conhecem este canto ... mas no outro lado onde tenho mais blogs ... cansei-me e o mais triste disto tudo ...pena, talvez e o que me revoltou (agora já me passa ao lado, talvez pela medicação) é que lidaram comigo meses na vida real; outros um ano e na realidade ao dizerem-se amigos ... e na realidade uns ao terem feito o que fizeram só mostram uma única ou duas coisas ... ou não conseguiram o que pretendiam; ou não me conhecem, afinal verdadeiramente como eu sou ... porque para mim coscuvilhices, mexericos, diz-que-diz, boatos, fazer blogs e cenas para dizer mal dos outros não é do meu feitio, não é o meu género e tenho mais que fazer ... tenho uma familia, uma filha especial que precisa de mim, tenho uma mãe doente que eu sou a única filha, trabalho a 50 km de casa há três anos , tenho seis turmas, quase 180 alunos e três níveis diferentes de aulas para preparar e sou esposa e dona de casa ... acham que tenho vida para essas ninharias fúteis de quem não tem nada para fazer? Não me conhecem, afinal ...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Códigos oníricos

Pintura de Paula Rego
Antes de estar doente havia um sonho terrível que me perseguia ... como adepta da psicanálise, como fã incondicional de Freud e Jung andei às voltas para tentar descodificar este sonho ... contínuo na procura ... entretanto outros sonhos têm vindo ... para mim o inconsciente é a voz do interior que nos quer alertar, "falar" connosco de uma forma simbólica ... assim ando de volta do meu universo onírico à procura de soluções, de respostas, de pistas ... Uma amiga disse-me para prestar atenção às pistas que eles me dariam ... assim estou uma detective onírica ...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Paciência

Imagem retirada da net





"Tenho paciência e penso: todo o mal traz consigo algum bem ."Beethoven

Esta frase deixou-me a pensar ... e talvez a aceitar por enquanto tanta "parvoíce", "estupidez", "mal-entendidos" e "disparates" que vejo por ai ... enfim ... não estou resignada, mas sinceramente não estou para me chatear, tenho coisas mais importantes em que pensar, em que viver... nem quero saber ...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Algumas reflexões sobre as mulheres

Pintura de GraçaMorais


Elas são as mães:
rompem do inferno, furam a treva,
arrastando
os seus mantos na poeira das estrelas.

Animais sonâmbulos,
dormem nos rios, na raiz do pão.

Na vulva sombria
é onde fazem o lume:
ali têm casa.
Em segredo, escondem
o latir lancinante dos seus cães.

Nos olhos, o relâmpago
negro do frio.

Longamente bebem
o silencio
nas próprias mãos.

O olhar
desafia as aves:
o seu voo é mais fundo.

Sobre si se debruçam
a escutar
os passos do crepúsculo.

Despem-se ao espelho
para entrarem
nas águas da sombra.

É quando dançam que todos os caminhos
levam ao mar.

São elas que fabricam o mel,
o aroma do luar,
o branco da rosa.

Quando o galo canta
Desprendem-se
para serem orvalho.



(Eugénio de Andrade)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os sonhos são como borboletas ...

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt, autoria de Clicio Barroso
Os nossos sonhos são como borboletas ... sonhamos tanto em crianças ... criamos tantos projectos ... achamos que podemos mudar o mundo ... mas passados 30 anos ... afinal não fizemos nada ou tão pouco ...
A alegria que tenho ... é que como professora de Filosofia vou formando pessoas, cidadãos mais conscientes do mundo que os rodeia, dos problemas reais, de colocá-los a pensar por si ... e isso era um sonho que se tornou realidade ...
Sempre fui uma idealista ... sempre fui uma poetisa ... uma sonhadora ... uma defensora da liberdade, da igualdade e é engraçado ... que vejo agora que me confinei nestes últimos anos desde que casei aquela vida monótona de casa, filha, trabalho, familia ... e acham sempre que faço tão pouco, que lhes dou tão pouco ... enquanto poderia estar a fazer coisas verdadeiramente reais em prol dos outros ... fartei-me do egoísmo, do olhar para o umbigo das pessoas, do consumismo ... fartei-me do comodismo de passar o domingo de pantufas em casa a ver programas estúpidos ... tenho uma filha que precisa muito de mim ... e a maior parte do fim de semana é ajudá-la na escola ... é uma menina especial ... uma menina que partilha estes valores humanos e de justiça como a mãe ... é engraçado ... mas acho que poderia fazer muito mais ... mas é difícil quando quem está à nossa volta não compreende ... apenas a minha miúda de 11 anos ...
Estas borboletas que pairavam na minha cabeça há 20 anos voltaram a cair sobre mim... sonhos ... ou chamadas do coração?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Tranquilidade ... um pouco ...

Sinto-me um pouco mais tranquila ... voltei ao trabalho ... medicada ... mas voltei ... tinha saudades dos meus meninos ... sinto-me acarinhada por eles ... e isso faz-me bem!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Emaranhada ...

Foto retirada de www.olhares.com
Sinto-me doente ... o coração dói-me, a alma dói-me ... só me apetece chorar ... sinto-me emaranhada nesta minha vida sem saída ... sinto-me presa à família ... sinto-me presa a problemas que eu não consigo solucionar .... porque não dependem de mim ... acho que estou a enlouquecer ... a dar em doida ... sinto-me só ... acho que ninguém gosta de mim, que ninguém me ama ... o amor não é mera palavra, é acções ... e apesar de tudo tenho que manter a máscara para mostrar que tudo está bem ... para a minha filha, para a minha mãe ... mas sinto-a a cair ... cair ... e a partir-se .... no chão ...
Não consigo suportar mais os fardos das mágoas, das dores, da raiva, do ódio que tens transformado o amor ou a paixão que sentia por ti ... cada vez a vida se torna um fardo, um peso cada vez mais pesado para mim ... acho que estou a enlouquecer ... talvez ... mas não são os loucos que dizem as verdades?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Quando te sentes só ....




Sabes ... quando mesmo rodeado de pessoas te sentes só, profundamente só? Quando quem está ao teu lado só te aborrece, chateia, magoa ...???
Quando tens alguém ao teu lado que não te preenche como ser humano, não te preenche a alma e acha que o carinho que pedes é sempre demais?
Sabes que quando te deitas ao seu lado, desejarias que fosse Outro que lá estivesse?

Quando era adolescente ... sentia-me só ... muito só ... com poucos amigos ... sem paciência para namorados, quase sem familia ... passados vinte anos ... casada, com filhos ... contínuo a sentir o mesmo ...esta solidão enorme no meu coração ... contínuo a chorar como chorava sobre a minha almofada todas as noites ... Quando nos sentimos sós não sei se alguma vez algo ou alguém nos conseguirá preencher essa solidão ...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O imaginário ...

O imaginário é uma caixinha de surpresas que todos trazemos dentro de nós, uma caixinha de música onde as melodias da infância vão saindo com a bailarina sempre a rodar ... e a música faz-nos sonhar, faz-nos recordar, levar a mente, a alma para países infinitos, para reinos onde tudo e todos são felizes, onde o mundo não é a preto e branco ...mas colorido ... e onde estamos em paz ...

Quando era criança gostava de sonhar, imaginar, criar histórias e fantasias ... escrevia, sonhava ... mas a verdade é que encerrei durante muito tempo este meu mundo imaginário num cofre forte e deixei-o abandonado ... aos poucos tenho vindo a abri-lo ... devagar e vejo que tenho tanto para escrever o que vem à minha mente ... mas não sei porque tenho medo de não conseguir escrever tudo ... talvez porque esteja doente e sinta que o meu pobre coração me está a atraiçoar e tenho medo ... medo de não realizar os meus sonhos, de não ver a minha filha crescer, de não dar o melhor de mim, de não conseguir amar quem amo de verdade, de não receber carinho de quem quero e gosto ...

Sinto-me às vezes como se tivesse o dobro da minha idade e visse o fim da vida ... não sei porque sinto isto, não sei ... mas é o que sinto em mim... sinto-me triste, sozinha, traída por quem eu pensava gostar de mim... Será que fiz assim tanto mal a alguém?


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Os amigos são como uma luz ...


Os amigos são como uma luz , uma lamparina que vai iluminando o nosso caminho, que nos vão dando esperanças, sorrisos, carinhos, afagos, consolos de alma e de coração ...
Temos momentos na nossa vida, que esquecemos e perdemos o contacto com aqueles que partilharam a sua infância connosco; que saltaram a primeira vez à macaca, saltaram à corda, ao elástico ... choraram porque cairam na rua porque brincavam às escondidas, porque tiraram Mau na prova de Matemática, com quem partilhámos os nossos primeiros amores ....
Perdemos os nossos amigos de adolescência com quem vimos os primeiros livros picantes, vimos os filmes mais ousados, bebemos a primeira amêndoa amarga, fumámos o primeiro cigarro, saímos a primeira vez à noite, contámos o nosso primeiro beijo, a primeira carícia mais íntima ...
Crescemos ... fomos para a Faculdade fizemos novos amigos com quem partilhámos poemas, livros, confidências, paixões, noites de borga, de prazer, de extâse, de limite ... em que já nada era real nem tão pouco a nossa existência ... mas esse tempo terminou e cada um rumou para o seu ponto do país ... cada um começou a sua vida profissional, casou, foi mãe e pai ... e começou outro ciclo da sua vida ... mas neste embaraço, neste novela da vida ... esqueceu-se que não basta apenas a família para nos dar momentos de felicidade, para nos compreender, para ter uma visão diferente ... e quando damos por nós estamos sós ... carregamos fardos enormes nas nossas costas e acabamos por não ter ninguém com quem partilhar, com quem falar ... alguém que nos possa ouvir sem emitir opiniões ou fazer juízos de valor ... alguém que está ao nosso lado, nos dá a mão, o ombro se for preciso ... que gosta incondicionalmente de nós, independentemente de tudo o resto ...
Mas como estamos tão sós e desprotegidos, às vezes caímos nas emboscadas e quem pensamos ser nosso amigo não é ... temos grandes desilusões, choramos, gritamos, sentimos uma ferida enorme no nosso coração que teima em não sarar... sabemos que fomos traídos ... mas depois da queda, levantamo-nos e seguimos caminho ... e encontramos novos amigos e damos mais valor aquele que tinhamos no passado e que nos avisou ... e que nos deu a sua mão ...
A verdade é que com amigos de verdade, sinceros, puros de coração ... a nossa vida torna-se mais bela, mais bonita, mais fácil ... os verdadeiros amigos são a luz, a candeia que ilumina o nosso caminho, que nos fazem sorrir...
(Este post é dedicado aos meus verdadeiros amigos ... vocês sabem quem são ... gosto, adoro, amo-vos do fundo do meu coração, da minha alma ... são pouquinhos mas valem tudo o que existe!)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Tenho medo ...

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt , autoria de VanessaDesigner
Quantas vezes, desde miúda farta da vida, desejava a morte, pensava no suicídio e achava que o fim era a única solução. Tenho dias que estou tão triste , em que choro e que peço a Deus que me tire deste mundo, dias em que nada para mim faz sentido ... em que a infelicidade é o sinónimo de vida. Mas pensamos na morte como algo fácil, como se por um truque de magia tudo desaparecesse, como se entrássemos num túnel longínquo em que a luz estaria lá no fundo, como se do outro lado estivesse o paraíso... mas o fim da vida não é m truque de magia ... e por mais infeliz que eu possa estar a minha filha precisa de mim, da sua mãe, da sua amiga e confidente. Ela sabe que é comigo que pode falar das tontices da escola, dos ídolos, das parvoíces que eu pouco a censuro, rio-me com ela e ainda lhe digo piadas ...Na segunda-feira realmente tive medo, eu que dizia que não tinha medo do fim, tive medo do sofrimento, da dor, de quanto pode chegar o limite humano, tive medo de ser um fardo para os outros, uma carga, a coitadinha ... realmente senti medo e senti cada vez mais a debilidade da circunstância humana, quão fracos e débeis somos ao sofrimento, à dor, ao fim e nós que às vezes que pensamos que somos tanto, que temos tanto .. que somos super-homens e super-mulheres. Eu que tenho a mania que consigo chegar a todas as capelinhas, que dou tudo e recebo tão pouco ... Tive medo ... tenho medo ... senti-me mortal pela primeira vez ... frágil, sensível, sofredora, limitada, finita ....

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sentou-se ao meu lado ...

Ontem , tive a pior das sensações da minha vida, parecia que a morte se tinha sentado a meu lado naquela estação de comboios, entrei no comboio e a viagem que fiz de hora e meia pareceu-me a última viagem da minha vida ... senti-me tão mal, julguei que não chegaria a porto seguro ... tive medo, rezei para Deus me ajudar, para me dar força ... o comboio parou a meio Meu Deus, nunca mais chegava ... mas lá consegui chegar ... Fui para o hospital, não estava nada bem ... sei que tenho que mudar a minha vida ... senão o colapso acontecerá inevitavelmente ...

sábado, 15 de novembro de 2008

O meu anjo

Nestes últimos tempos voltei a ter aquelas ideias estranhas, voltei a sentir esta angústia atroz dentro de mim, voltei a soltar as lágrimas, a chorar, a escrever compulsivamente para aliviar a minha dor, aquele fundo que está na minha alma, no meu coração ...

Quando acordo de madrugada, já nem paciência tenho para escolher a roupa, o calçado, a maquilhagem ... ligo apenas o piloto automático da minha mente e sigo ... sigo viagem ... vou trabalhar ... nem quero saber ...

o meu corpo está lá, mas o meu pensamento não ... sei que estou longe ... bem longe daqui e dali ... de tudo e de todos ... sei que as minhas aulas tem sido estranhas ... sei que tenho falado muito em utopia, em vida, em morte, em sonho, em decisões, em liberdade, no destino ... olho para os meus alunos e sei que eles sentem que eu não estou bem ... sei que eles sabem que eu quero dizer-lhes algo com tudo aquilo que lhes falo, talvez por isso me digam que sou especial ... (sou apenas uma mulher, apenas isso).

Mas ontem assustei-me ... comecei a sentir coisas estranhas no meu corpo, sei que não consigo dormir, sei que bebo demasiados cafés, sei que ando acelerada ... e talvez por isso ... ontem vi o meu anjo ... vi-o a olhar para mim ... e a chorar ... sei o que ele me dizia ... para ter cuidado comigo ... para me cuidar ...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Incompletude

Quando és uma mulher do pensamento, estás habituada a falar muito de ideias, de ideais, de espírito há determinadas coisas que para ti são "clichés" e achas que, por vezes, mais vale falar de prazer e de corporiedade para esqueceres um pouco daquilo que falas todos os dias. Olhas para o teu passado e vês as alturas em que pensavas na morte, no suicídio e que nada fazia sentido ... eras ateia ... pensavas que Deus era um mito ou mais uma personagem de uma série bem elaborada de Banda Desenhada, quase por desespero agarraste-te a Ele, talvez para não te matares , talvez para não cometeres aquelas loucuras que te vinham à cabeça. Quando O conheceste choraste muito, muito ... a dor imensa que havia dentro de ti precisava de ser expurgada, liberta ... prometeste a ti mesma que seria em prol dos outros que serias feliz, prometeste a ti mesma que farias o bem, darias pão a quem tivesse fome, levarias água a quem tivesse sede, estenderias as tuas mãos a quem precisasse de ajuda, os teus braços a quem necessitasse de um abraço ... querias despojar-te de ti mesma, dos teus bens, de ti mesma para te dares aos outros de forma desinteressada e gratuita ... porém não tiveste coragem ... porém o desejo da carne, do prazer começou a chamar-te de uma forma forte e não aguentaste o voto de castidade que te pediam ... afastaste-te e andaste a conhecer o outro lado da vida, do sensível, da carne, do prazer e do desejo ... mas isso nunca te completou ... às vezes, o alcóol era o teu refúgio, às vezes o cigarro fazia com que o teu pensamento deambulasse como o fumo, mas na realidade sabias que te faltava algo ... no amor e no companheirismo procuraste quem te desse prazer e estabilidade, Deus não te o deu, mas o homem também não ... Cresceste, amadureceste e tentaste esquecer-te, esquecer com o trabalho, com as preocupações diárias ... mas quando estavas só ... sabias da tua condição, da tua incompletude, da tua tristeza, da tua procura ... sempre achaste que era uma quimera, afinal és uma mulher do pensamento ...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sem saber ...

Foto retirada do site www.olhares.com

Quando julgamos que já tinhámos vivido tudo, em que a nossa vida vai seguindo o curso normal, mesmo sabendo no nosso íntimo que não é nem por sombras aquilo que desejávamos, a vida prega-nos partidas e o nosso coração brincalhão , traiçoeiro que é acaba por nos fazer umas surpresas incómodas. Achamos que já não há nada de novo para viver e damos por nós a sentir emoções, ardores no peito, batimentos fortes, acabamos por ter pensamentos que começam a assaltar a nossa mente de repente ... a vida prega-nos partidas que não queremos acreditar, sentimos no nosso peito aquilo que sentiamos aos 18 anos quando nos apaixonavamos. No entanto, temos mais vinte anos em cima e nem tudo é assim tão fácil como era naquele tempo. Lutamos contra um sentimento que não queríamos sentir, mas há coisas que são mais fortes que nós; há sentires que não podemos apenas descartar e esquecer ... o coração continua a pulsar todos os dias, o pensamento foge e não o conseguimos apanhar ... Viver entre a emoção e a razão, gerir o que vai dentro de nós, compartimentar sentimentos, emoções, vivências, encantamentos, partilhas de vida ... nem tudo na vida é 1 +1 = 2; nem tudo é lógico, nem tudo é racional ... era bom que fosse ... mas quando pensamos que nada nem ninguém nos pode atraiçoar ... é o nosso próprio coração que nos atraiçoa, é a nossa própria alma que nos puxa para onde não queremos ir, mas sabemos que é ali o nosso lugar ... às vezes sinto-me perdida, às vezes choro, às vezes sinto-me só mesmo estando acompanhada ... porque há uma cisão dentro de mim ... o meu corpo e minha razão ama uma pessoa; a minha alma e o meu coração outra ... nunca acreditei em almas gêmeas, nem tão pouco no amor platónico ... mas o que sinto em mim é um amor espiritual tão grande que por mais que queira esquecê-lo não consigo, por mais que queira ficar indiferente não posso ... ele levou a minha alma, prendeu-a sem saber ... sem saber ... tocou na parte mais bela que alguém pode tocar ... na pureza da minha alma ... e nem se apercebeu disso e nem sabe disso ...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A cereja em cima do bolo

Foto retirada de http://olhares.aeiou.pt/

Existem momentos na nossa vida, que pensamos que estão a ser divinais, sublimes que melhor não poderão ser ... mas quando vemos com atenção há sempre um pequeno senão, há sempre algo a apontar ... julgamos então ser demasiado perfeccionistas, exigentes demais para com os outros, para connosco mesmos ...
Momentos perfeitos ... ou imperfeitos ... momentos que julgamos estar a vivê-los, a presenciá-los de uma forma única para toda a vida; talvez, a sublimidade esteja também na imperfeição.
Quantas vezes, ao ouvir uma música, ao ler um poema, um romance, ao observar um paisagem as lágrimas caiem-me, o meu ser balbuciona porque sei que estou a viver um momento único ...
Quantas vezes, ao amar e ser amada, sei que vivo momentos sublimes, longe do mundo, da vida, da multidão em que comungo com o Mundo, o Universo, com Deus, ali mesmo ... no meu recanto ...
Quantas vezes, ao sentir que há um sentimento forte em mim e me entrego de corpo e alma, sem esperar nada em troca, incondicionalmente; quando dou o melhor de mim ... sei que vivo momentos únicos em que falta apenas "a cereja em cima do bolo".

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

As palavras

Foto retirada da net

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

domingo, 9 de novembro de 2008

Os olhos ....

Foto retirada da net

"O que me interessa nos olhos é que eles são uma parte do corpo que não envelhece." Derrida

sábado, 8 de novembro de 2008

Adeus

Imagem retirada da net


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Eugénio de Andrade

Para que um encontro aconteça ...

Imagem retirada da net

«O encontro entre elas não foi nem agradável nem desagradável. Simplesmente não existiu.
Para que um encontro aconteça, duas pessoas têm de reunir-se num mesmo lugar e num mesmo espaço. E nenhuma das duas morava na mesma casa. Isabel continuava a viver em Espanha, Citlali em Tenochitlan. Se não havia forma de se dar o encontro, muito menos a comunicação. Nenhuma das duas falava a mesma língua. Nenhuma das duas se reconhecia nos olhos da outra. Nenhuma das duas trazia as mesmas paisagens no olhar. Nenhuma das duas percebia as palavras que a outra pronunciava. E não era uma questão de entendimento. Era uma questão do coração. É aí que as palavras adquirem o seu verdadeiro significado. E o coração de ambas estava fechado.
Por exemplo, para Isabel, Tlatelolco era um lugar sujo e cheio de índios, onde tinha forçosamente de ir abastecer-se e onde dificilmente encontraria açafrão e azeite. Em compensação, para Citlali, Tlatelolco era o lugar que mais gostava de visitar quando era menina. Não só porque lá se podia gozar de todo o tipo de cheiros, cores e sabores mas também porque podia saborear um espectáculo de rua surpreendente: um senhor, a quem todas as crianças chamavam Teo, mas cujo verdadeiro nome era Teocuicani (cantor divino), que costumava fazer dançar na palma da mão deuses de barro articulados. Os deuses falavam, lutavam e cantavam com voz de búzio, cascavel, pássaro, chuva ou trovão, emitida pelas prodigiosas cordas vocais deste homem. Não havia vez que Citlali ouvisse a palavra Tlatelolco que não lhe viessem à mente aquelas imagens, e não havia vez nenhuma que pronunciasse a palavra Espanha que uma cortina de indiferença não lhe cobrisse a alma. Precisamente ao contrário de Isabel, para quem a Espanha era o lugar mais belo do mundo e mais rico em significados. Era a verde erva onde se deitara uma infinidade de vezes a observar o céu, a brisa do mar que deslocava as nuvens até as lançar contra os altos cumes das montanhas. Era a brisa, o vinho, a música, os cavalos selvagens, o pão recém-tirado do forno, os lençóis estendidos ao sol, a solidão da planície, o silêncio. E foi nessa solidão e nesse silêncio, que se tornava mais profundo pelo barulho das ondas e das cigarras, que Isabel imaginou milhares de vezes Rodrigo, o seu amor ideal. A Espanha era o sol, o calor, o amor. Para Citlali, a Espanha era o lugar onde Rodrigo aprendera a matar.
A enorme diferença de significados enraizava na enorme diferença de experiências. Isabel tivera de viver em Tenochtitlan para saber o que quer dizer ahuehuetl. Para saber o que se sentia quando se descansava à sua sombra depois de ter realizado uma cerimónia em sua honra. Citlali teria de ter nascido em Espanha para saber o que significa mordiscar lentamente uma azeitona, sentada à sombra duma oliveira enquanto observava os rebanhos a pastar na pradaria. Isabel teria de ter crescido com uma tortilla na mão para que não a incomodasse o seu "húmido" odor. Citlali teria de ter sido amamentada sob os aromas do pão acabado de sair do forno para encontrar gosto no seu sabor.»

Laura ESQUIVEL, A Lei do Amor, 5ª edição, Porto,ed. Asa, 1998, pp. 22-23


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Humildade



Fazer das coisas fracas um poema.


Uma árvore está quieta,

murcha, desprezada.

Mas se o poeta a levanta pelos cabelos

e lhe sopra os dedos,

ela volta a empertigar-se, renovada.

E tu, que não sabias o segredo,

perdes a vaidade.

Fora de ti há o mundo

e nele há tudo

que em ti não cabe.


Homem, até o barro tem poesia!

Olha as coisas com humildade.


Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

As minhas unhas e eu ...

Foto de Ennoea

Sempre rói as unhas desde pequenita ... quando estava mais nervosa, distraída, a ver televisão, nas aulas ... aonde calhava ... acho que tinha herdado este costume do meu pai. Ficavam pequeníssimas, dóiam-me imenso, mas continuava a roer ... olhava para as unhas compridas das minhas amigas e achava horrível ... a minha mãe pintava-as de vermelho ... dizia-lhe que era pirosa .... via certas pessoas com as unhas enormes, todas partidas, sujas e sei lá ... achava nojento e preferia mil vezes ter as minhas unhitas minúsculas.

Já depois de começar a trabalhar a manicura insistia comigo que devia deixar crescer as unhas, mas a verdade é que lá colocava verniz transparente, punha um produto que se usava na farmácia, comia pastilhas e nada ... continuava a roer.

Quando casei lá me contive durante uns tempos para ir com as mãos apresentáveis e as unhitas lá cresceram um bocadinho. Mas durante a lua de mel ...desapareceram num instante!

Há quatro anos, ganhei coragem e deixei crescer as unhas, levava a vida na manicura para elas ficarem bonitas, pintava-as de pérola ou transparente e pouco mais. Mas como quem roeu as unhas a vida inteira, claro partiram-se com facilidade e aguentei apenas dois meses. Continuei resignada à unha miníma.

O ano passado com a moda das unhas de gel a minha manicura disse-me que deveria experimentar ... disse-lhe: "Vou pensar nisso ..." Por essa alturas, conheci algumas pessoas que usavam unhas de gel e realmente tinha sempre as unhas impecáveis e colocava-se qualquer anelito e fazia um enorme sucesso ... tanta me chatearam ... a manicura e essas pessoas que decidi colocar unhas de gel...

Como as minhas unhas quase não existiam ... coloquei extensões até as outras crescerem ... era uma verdadeira saga ...estava no banho, a extensão descolava ... começava aos berros, pegava num livro a extensão partia-se ficava histérica ... uma vez cheguei atrasada a um almoço porque perdi uma "unha" no banho ... fui a correr para a manicura ... depois ia com a mãozinha de fora do vidro do carro para secar ....

Depois destas peripécias, coloquei unhas de gel... e já lá vai um ano ... todos os meses mudo de cor, uma mais garrida que a outra (para quem dizia que vermelho era piroso), adoro a cor vermelha, ando um mês com as unhas impecáveis ... faço tudo em casa, as minhas unhas são o meu orgulho, as minhas alunas ficam maravilhadas com as unhas e quando mudo de cor, assim que entro na aula são as primeiras a notar!

Actualmente ... as minhas unhas são uma das minhas imagens de marca...

domingo, 2 de novembro de 2008

Tempo de pausa ...

Foto de Ennoea

Quando me sento ... para começar a minha viagem de todos os dias ... olho a paisagem, coloco o MP3, abro um livro para ler ou retiro umas folhas onde vou escrevinhando o que passa pelo pensamento ... olho lá fora a paisagem que passa bem rápido ... é o meu momento de pausa , um momento em que posso estar comigo, com a minha imaginação, com os meus pensamentos ...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pingos de emoção

Imagem retirada da net
De madrugada, os pingos da chuva teimavam em cair cada vez com mais intensidade ... olhei para o relógio ... era cedo, demasiado cedo ... mas teria que sair de casa ... dali há duas horas e meia estaria a entrar no emprego ... sai de casa, olhei para o céu estava escuro, olhei para o chão água para todo o lado ... na rua ninguém ... apressada ... cheia de sacos, corri para o carro, com a chuva a cair sobre o meu corpo, o meu cabelo molhado, o meu rosto ... o que me importava ... às vezes de madrugada, quando saia de casa, sentava-me ao volante, olhava para o relógio e ligava o auto-rádio pensava ... Será que esta vida assim faz sentido? Algum sentido?
Nos dias de Inverno, de chuva, ao cair dos pingos da chuva ... sinto saltar em mim um recanbolesco mar de emoções ... dias de chuva são dias tristes, melancolicos que nos fazem pensar ainda mais no sentido disto tudo ... dias em que tudo parece tão sem sentido, em que parecemos fantoches manipulados por uma qualquer companhia de teatro de robertos ...
Liguei a ignição e lá fui para mais um dia de trabalho ... longo ... demasiado longo ... voltarei a casa passadas 16horas ...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Escreves-te ...



Ontem ao abrir o meu mail deparei-me com uma mensagem tua, amiga! Obrigada pelas tuas palavras ... sabes que atravesso uma fase complicada no meu emprego ... mas as palavras que me deixaste, fez saltar umas lágrimas e rolarem pelo meu rosto ...
Dizes que sou especial ... se calhar sou... como tu também o és ... especiais porque somos genuínas, sinceras, fazendo valer os nossos princípios e ideais ... às vezes tentam humilhar-nos e pensamos ser as piores pessoas do mundo, perdendo a nossa auto-estima, relativando o nosso valor ... mas fazem-nos isso porque somos diferentes, fazemos a diferença e incomodamos e... quem incomoda é um alvo a abater ... Sabes, às vezes é preciso serem os outros a dizerem-nos do nosso valor, da nossa bondade para vermos quem somos realmente, para pensarmos que não somos nós que estamos erradas ... O verdadeiro sentido da amizade é mesmo este, o da entre-ajuda, da camaradagem, da partilha, do sorrir, do chorar ... tentaram afastar-nos, tentaram que não nos conhecessemos ... mas o destino, a vida ou Deus acabou por trocar as voltas e apesar de tudo acabámo-nos por cruzar ... e a nossa amizade ficou mais forte, o que rimos às vezes com os disparates que dizemos ... conseguimos ultrapassar a boa disposição ... porque para mim a amizade não se faz tendo em conta estatutos sociais, classes, habilitações literárias, interesses financeiros e afins ... quando se é amiga é-se de coração, de alma independentemente de tudo ...e o engraçado é que acabámos por descobrir que a nossa escrita é tão semelhante ... ambas escrevemos com o coração e não com a razão e é isso que faz de nós diferentes ... uma pedra no sapato de muita gente ...
Obrigada pela tua amizade, obrigada por seres quem és, obrigada por seres genuína, autêntica e dona de um coração de ouro, obrigada por seres minha amiga!

Ennoea

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Penso em ti ...

Imagem retirada de net

Nestes dias em que me sinto triste,

em que pressinto o desabamento da minha estrutura,

da minha psique ...

Penso em ti ...

Nestes dias em que me sinto só,

desiludida, desanimada ...

em que os ideiais, valores, princípios deixaram

de fazer sentido e tudo começa a ruir à minha volta ...

Penso em ti ...

Nestes dias frios, chuvosos e escuros ...

em que nada faz sentido, sinto a tua falta,

Penso em ti ...

Sinto a minha alma abandonada e só ...

Como se estivesse à janela,

Olhando lá longe à espera que

a tua alma chegue ...

Penso em ti ...

A minha alma gostava da presença da tua,

gostava dos longos passeios que davam

pelo caminho das palavras e do pensamento ...

Penso em ti ...

por muitas razões e talvez por nenhuma ...


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sonho de menina ...


Traz ainda pendurado no seu peito como se fosse um porta retratos dos seus entes queridos o seu sonho de menina ... está prestes a fazer quarenta anos e apesar de a vida ter sido até agora um pouco madrasta para ela, contínua no fundo da sua alma a acreditar nos seus sonhos, nos seus ideais e nos seus valores ...
A sua alma de menina rebelde, meiga e controversa contínua viva, aliás bem viva dentro de si ... aquela que sempre lutará pela igualdade, pela partilha, pelo amor e pela justiça ... por mais que a tenham tentado subjugar, derrotar, nada nem ninguém faz ideia da força, da alegria, da esperança e da luz que ela tem dentro de si ...
Os anos estão a passar ... sente que perdeu muito tempo ... mas que o seu ideal, o seu sonho de um mundo melhor, o seu sonho de menina de dar a vida em prol do Outro não morreu ... está cada vez mais vivo, aceso no seu coração!


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Como um barco abandonado ....




Imagem retirada de jasmimcanela.blogspot.com
Deixei a minha alma encalhada no cais na loucura, naquela noite divagava pelo mar do pensamento, da imaginação, das quimeras e da fantasia ... Navegava por entre as águas de lodo, da penumbra, do obscuro ... pelo lado mais negro e temível da consciência e da inconsciência humana... Parei nas margens do lago e sai ... corri para terra ... para um pedaço de terra segura como se a nossa razão fosse o fundamento de toda a realidade ... Deixei a minha alma como um barco abandonado no cais da irracionalidade, num porto provisório do real ...


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A intemporalidade do tempo

http://www.marinha-grande.com/blog/tempo.jpg (Imagem retirada de)

O tempo foge, como as folhas que caem de uma árvore e voam levadas pelo vento ... O tempo urge ... parece um pouco absurdo aquilo que estou a dizer, mas os dias, as semanas, os meses, os anos vão passando tão rapidamente que nem dou por eles ... olho para trás e começo a constatar que já passaram quase quatro décadas da minha vida ... talvez, muito concretamente apenas as duas primeiras tenham tido algum resultado prático ... é ridículo, mas nestes últimos vinte anos vejo que a minha vida se tem reduzido ao trabalho, pouco à família, quase nada a mim mesma ... é estranho estar com esta conversa, mas vejo os meus dias preenchidos com papelada, com trabalho, vejo os dias a passar e constato que não vivo ... sobrevivo ... sobrevivo para ter o meu emprego que neste momento me está a pedir o impossível, sobrevivo para ganhar uns quantos euros por mês, sobrevivo para dar o meu melhor à minha família, sabendo que o amor, o carinho, a atenção é dada em contra relógio... arrasto-me ... ando ... deambulo pela vida ... tentando não pensar muito no que está a acontecer, não pensar muito que não tenho qualidade de vida nem estou a aproveitar as minhas potencialidades ... esta incongruência do tempo que nos faz cada vez menos ser humanos e cada vez mais máquinas, robots ... seres sem pensamento, seres sem crítica, sem contestação ...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Essa palavra ... tolerância ...

Retirado de welcometomypillowbook.blogspot.com

Ontem, estava eu na minha odisseia de boa mestra a fazer testes sumativos quase em série, no meio de livros, papelada e rascunhos quando deparei com este texto ... interessante, actual e pertinente .... decidi partilhá-lo ...

“Na sua obra fundamental, Sobre a Liberdade, John Stuart Mill, escreveu: “A humanidade tem mais em lucrar aceitando que cada um viva como bem lhe parece do que compelindo cada um a viver como bem parece aos outros.” Esta observação contém um número significativo de implicações. Define uma pessoa intolerante como aquela que deseja que os outros vivam como ela pensa que devem viver, e que procura impor aos outros as suas práticas e as suas crenças. Diz que a comunidade humana beneficia por permitir que floresça uma variedade de estilos de vida, porque estes representam experiências a partir das quais muito se pode aprender sobre o modo de lidar com a condição humana. E reitera a premissa de que ninguém tem o direito de dizer a outrem como deve ser ou agir, desde que tal modo de ser e de agir não prejudique os outros. Estes são os princípios do liberalismo, palavra maldita para aqueles que temem que, a menos, que haja um domínio apertado sobre os pensamentos e instintos humanos, a terra se abrirá e dela sairão demónios. Contudo, a tolerância é não só a pedra de toque, mas também o paradoxo do liberalismo. Porque o liberalismo exige a tolerância de pontos de vista opostos e permite que estes se afirmem, deixando ao confronto democrático das ideias decidir qual vencerá. O resultado é muitas vezes a morte da própria tolerância, porque aqueles que vivem por princípios rígidos e por leis intransigentes em matéria de política, moral e religião, assim têm a mínima oportunidade, silenciam os liberais, pois o liberalismo, pela sua natureza, ameaça a hegemonia que pretendem impor.”
A.C. Grayling, The Meaning of Things, Blackwell’s Publishers, 2001.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A intimidade na amizade ....

http://najasmin.no.sapo.pt/amizade.gif - Foto retirada de



"Ele encontrou alguém com quem pode falar, pensei. E eu também, pensei a seguir. No momento em que um homem começa a falar de sexo a outro, está a dizer alguma coisa acerca de ambos. Noventa por cento das vezes isso não acontece, e talvez seja melhor que não aconteça, mas se não conseguirmos alcançar um certo grau de franqueza no que respeita a sexo e optamos por proceder como se nem sequer pensássemos nisso, então a amizade masculina é incompleta. A maioria dos homens nunca encontra um amigo assim. Não é comum. Mas quando acontece, quando dois homens se descobrem de acordo sobre esta parte essencial de ser um homem, sem medo de serem julgados, aviltados, invejados ou dominados, seguros de que a sua confiança não será traída, a sua relação humana pode tornar-se muito forte e nascer uma intimidade inesperada." Philip Roth, in "A Mancha Humana"

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Negras desilusões

Retirado do site www.olhares.com
No fundo do nosso ser acreditamos sempre na pura essência do ser humano, pensamos que afinal Rousseau tinha razão e que o homem é bom por natureza, sendo a culpada a sociedade que o corrompe ... mas será isso verdade?
Actualmente, ao olhar para a sociedade, para a forma como as pessoas lidam umas com as outras, para as suas relações ... acabo por pensar que sou uma idealista, uma utópica ... sim, talvez para alguns seja ingénua .. mas não me considero de todo ... Acreditava no altruísmo, na bondade inerente ao ser humano, no dar e no receber, no amar só por amar ... mas infelizmente essa réstia de esperança que mantinha por uma determinada quantidade de seres humanos tem vindo a dissipar-se ... cada vez mais, para sofrimento meu, pois ao constatarmos a verdadeira realidade, a queda das nossas ideologias acabo por dar razão a Thomas Hobbes - "O homem é o lobo do homem." Uma visão cruel, fria que não queremos acreditar que exista, mas em tempos de crise, em alturas que a disputa existe o que salta no ser humano não é o seu melhor ... é o seu pior ... o egoísmo, a individualidade, a competição ... a solidariedade é uma palavra esquecida de um velho dicionário ...
Talvez, por isso me sinta um anjo caído, uma dor enorme, uma desilusão bem negra ... não sou melhor nem pior que ninguém, mas ainda consigo ser eticamente e humanamente correcta ...

sábado, 11 de outubro de 2008

Quem me dera ...


Quem me dera estar neste jardim a descansar ... a pensar... a ler ... no entanto, neste fim de semana como em todos ando numa roda viva ... apoiar a filha, dar atenção à mãe, fazer de enfermeira ao marido ... casa para arrumar ... testes diagnósticos para ver ... aulas para preparar, planificações de aulas e para terminar ... o raio dos Objectivos Individuais do Professor para fazer ... Quem disse que fim de semana era descanso? Eu não ...
Ai ... quem me dera ...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Vida de professora ....


Será que pensam que não temos família, vida própria? Será que querem que casemos com a profissão?
Sinto-me desiludida ... com todo o sistema ... será que querem matar o nosso gosto pelo ensino? Será?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Adeus, Pai! Não ... até breve ...!


Foto retirada da net
Já passaram dois anos que partiste ... mas contínuo a sentir a tua falta, a ouvir a tua voz, a apertar a tua mão ... partiste tão depressa ... contínua a persistir em mim esta mágoa de não me ter despedido de ti!
Quando entro em tua casa, ainda vou direitinha à sala esperando que estejas sentado no teu sofá a ver o Telejornal ... jamais esquecerei o teu último conselho ... recordou-me dele todos os dias ... como me recordo de ti ...
Contínuo a acreditar que andas numa longa viagem ... para manter um pouco a minha sanidade mental ... e a vida tornar-se um pouco melhor ...
Escrevo ... desde que partiste comecei a escrever , escrevo para ti, para estar contigo, para falar contigo ... gosto de escrever como tu gostavas ... e o que faço é para ti ...
Sinto saudades ... de ti, se sinto ... mas contínuo a manter acesa a chama da tua presença e do teu amor no meu coração e no pensamento ...
Adeus, Pai ... Não ... até breve ...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Orgulho de ser mãe (V)

Depois do veredicto ... caiu-nos o mundo em cima ... sabia que algo não estava bem ... mas nunca pensei que fosse paralisia ... a minha filhota iniciou então terapia ocupacional no Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão, continuou com a natação e sem qualquer ajuda ... contactei a equipa de Ensino Especial da zona onde moro e sem qualquer documentação fizeram uma avaliação e enviaram uma educadora de Ensino Especial para o colégio que ela frequentava. A minha filha tinha três anos nessa altura e tinha começado a andar ... três anos que poderiam ter sido melhor aproveitados senão tivesse andado de um lado para o outro ... Felizmente a equipa de Ensino Especial foi espectacular, a educadora também e o colégio foi o único entre tantos que corri que a aceitou ... Aceitou-a de fraldas, a andar mal ... pois andava e caia ... às directoras, às auxiliares e educadoras tenho de agradecer a forma carinhosa e sem preconceitos como a ceitaram a minha filha ... No entanto, na Maternidade Alfredo da Costa quando confrontei o Neuropediatra e o Pediatra de Desenvolvimento com a verdade ... ficaram escandalizados e diziam que "Paralisia Cerebral ... era um bicho papão ...", mas no entanto ficaram boquiabertos quando viram a minha pequenita a andar ... um deles até disse que era milagre ... Havia aqui algo que não batia certo ... havia ... e o nome chamava-se negligência e fizeram tudo para não lhes colocar um processo em cima ... pois é ... e passado três anos já era ... Chocados ... não fiquem ... infelizmente é o prato corrente em muitos casos ... (mais tarde ficarão a saber porque ...).


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Orgulho de ser mãe (IV)


A verdade ... a terrível verdade tinha e tem por nome "Paralisia Cerebral". Mas o que significava este nome?
Procurei em livros e eis o que encontrei ...


A Paralisia cerebral (P.C.) é uma doença irreversível que acomete o Sistema Nervoso Central acarretando defeitos motores variados resultantes de lesões cerebrais. O termo "Paralisia Cerebral" tornou-se clássico, porém não é o mais adequado, já que na realidade o cérebro não se encontra paralisado, e sim impossibilitado de comandar adequadamente a função motora. O correcto seria "Doença Motora de Origem Cerebral" (D.M.O.C.), como a doença já é conhecida internacionalmente. A D.M.O.C. ou Paralisia Cerebral, pode ser causada por múltiplos factores sendo estes divididos em 3 grandes grupos: O termo paralisia cerebral remete-nos para um conjunto de distúrbios do movimento, da postura, do equilíbrio, da coordenação e/ou dos movimentos involuntários, permanente, mas não invariável, que surge antes ou depois do nascimento, nos primeiros anos de vida. Crianças cerebralmente paralisadas não conseguem controlar alguns ou todos os movimentos. Algumas têm dificuldades em falar, andar ou usar as mãos. Umas serão capazes de sentar sem suporte ou ajuda, enquanto outras necessitarão de ajuda para maioria das tarefas da vida diária. A denominação paralisia cerebral não é totalmente satisfatória, pois a maioria dos pacientes não apresenta paralisia. Muitas vezes, os autores falam em “paralisias cerebrais” pela diversidade de manifestações que compreende. Alguns autores preferem utilizar a denominação Dismotria Cerebral Ontogenética. Crianças com paralisia cerebral podem apresentar alterações que variam desde uma leve falta de coordenação dos movimentos, ou uma maneira diferente pra andar, até a inabilidade para segurar um objecto, falar ou deglutir, nos casos mais graves.
I- Factores Pré-Natais -> São aqueles que aparecem antes do nascimento e citamos como principais causas: Alterações genéticas e/ou congênitas, sendo as mais importantes doenças infecciosas contraídas durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola, citomegalus vírus, herpes vírus, sífilis), exposição prolongada e inadequada aos Raios-X, uso de drogas e/ou álcool durante a gravidez, hidrocefalia, hemorragias do período gestacional, eclâmpsia, diabetes gravídica, etc.
II- Factores pré-natais -> Os problemas seriam causados por complicações ocorridas no momento do parto, que causariam sofrimento fetal com baixa oxigenação cerebral e conseqüente lesão do S.N.C.
III- Factores Pós-Natais -> Ocorrem após o nascimento da criança e secundariamente a processos infecciosos do sistema nervoso central , principalmente encefalites e meningites, abscessos cerebrais, traumatismos cranianos, dentre outros.
Devido às deficiências motoras, os portadores de PC apresentam uma imobilidade variável de acordo com a gravidade do quadro. Esta imobilidade pode causar alterações de coluna, acúmulo de secreções respiratórias, prisão de ventre, etc. Com o organismo debilitado, os doentes contraem infecções mais facilmente do que as pessoas saudáveis, e as doenças comuns da infância podem ser fatais aos portadores de PC, caso eles não recebam atendimento médico adequado. Como a maioria dos pacientes não fala, há uma dificuldade maior neste atendimento.Além dos problemas já citados, muitos apresentam crises convulsivas-epilepsia e alguns têm crises de agitação psicomotora, hetero e/ou auto-agressividade, depressão, exigindo cuidados maiores para evitar que se magoem.Quanto à cognição, muitos possuem inteligência normal, mas não conseguem expressá-la adequadamente devido às dificuldades de linguagem,e, portanto, estes entendem tudo o que se passa à sua volta e consigo mesmos, sem poder se comunicar.

Existem vários tipos de paralisia cerebral, de acordo com a alteração de movimento que predomina. Formas mistas também são observadas. Os tipos mais conhecidos são:• Espástica: é a forma mais comum. Ocorre quando a lesão está localizada na área responsável pelo início dos movimentos voluntários, no trato piramidal, o tônus muscular é aumentado, isto é, os músculos são tensos e os reflexos são exacerbados. (Este é o caso do nosso grupo)• Discinética: ocorre quando a lesão está localizada nas áreas que modificam ou regulam o movimento, no trato extrapiramidal; a criança apresenta movimentos involuntários (que estão fora de seu controle) e os movimentos voluntários apresentam-se prejudicados.• Atáxica: está relacionada com lesões cerebelares. Como a função principal do cerebelo é controlar o equilíbrio e coordenar os movimentos. As crianças com lesão cerebelar apresentam ataxia – marcha pouco firme, por causa da deficiência de equilíbrio – e falta de coordenação motora, com incapacidade para realizar movimentos alternados rápidos e dificuldade para atingir um alvo. Há hipotonia muscular no momento do nascimento e retardo das habilidades motoras e verbais.


Orgulho de ser mãe (III)

Imagem retirada da net

Comecei com o decorrer dos meses a verificar que existiam uma série de coisas não batiam certo com a minha filha, fui a vários médicos, especialistas, sendo a postura de todos a de aguardar, a de que era um mero atraso motor, mesmo preguiça ... desesperada ... dividia-me entre dois empregos, imponha-me em casa pois o pai inicialmente achava que era a paranóia da mãe inventar doenças à filha ... mas na realidade com dois anos ela não andava, não segurava bem o tronco e babava-se continuamente ... Uma mãe durante uma aula de natação falou-me do Centro de Paralisia Cerebral da Gulbenkian ... liguei para lá ... eram necessários relatórios ... ninguém os queria passar ... era demasiada responsabilidade ... restava-me o livro rosa ... Mas, com quem luta sempre consegue, quem não desiste há sempre uma porta que se abre ... houve uma médica que acabou por enviar a minha filhota para o Hospital Fernando Fonseca, para a Consulta de Fisiatria e nessa consulta foi enviada para o Centro de Medicina e Reabilitação de Alcoitão com urgência ... no espaço de um mês tinha consulta ... afinal eu não estava enganada algo se passava ... o meu instinto de mãe não tinha falhado ... infelizmente ... quem me dera que o tivesse feito ... mas não ... estava perto de saber a verdade ... a terrível verdade ... (Continua)


terça-feira, 30 de setembro de 2008

Orgulho de ser mãe (II)

Imagem retirada da net


Ao fim de um mês de internamento ... a minha filha voltou para casa, ao fim do vigésimo sexto dia de vida chorou ... foi uma alegria ... o meu bébe ia finalmente para casa ... mas não foi fácil ... o desmame da medicação não foi feito e todas as noites à mesma hora ela chorava ... chorava compulsivamente ... horas e horas a fio e nós sem sabermos o que fazer ... não podia chorar muito, as convulsões poderiam repetir e os danos cerebrais serem maiores ... o meu instinto materno deu-me para cantar ... e cantava horas a fio ... quando o meu repertório de canções tinha terminado ... inventava umas quantas canções ... e assim fui ultrapassando esta quase inexperiência de ser mãe, de ter um bébe que sabia naquele momento não ser fácil de criar ... ao fim de um mês de estar com a minha filha fui trabalhar ... a minha vida de professora, a insegurança do meu trabalho levou-me a ir trabalhar quando fui colocada ... e era um milagre estar colocada, naquela altura os professores ainda não tinham direito a subsídio de desemprego e não podíamos dar-nos ao luxo de ficar em casa ...


Inicialmente, a minha filhota saía de casa às sete da manhã e ia para casa dos avós, que sempre foram o seu porto de abrigo, os seus segundos pais ... quando chegava ia buscá-la, mas em Novembro começam as bronquiolites, os problemas respiratórios, as crises de asma ... e a única solução foi tentar evitar que ela apanhasse frio, humidade e começou a ficar em casa dos avós ... por vezes, culpou-me porque a fui deixando nos avós, mas para mim a sua saúde sempre foi uma prioridade, já bastava os problemas que decorreram do parto ... então começou a martírio das cinesterapias ... durante quase três anos ... mas se pensam que ficou por aqui ... enganam-se ... com oito meses a minha filha não se sentava, nem segurava a cabeça ... ia aos pediatras particulares, ao pediatra e neurologista pediatrico e apenas diziam que tinha de ter paciência ... não havia nada de mal, apenas tinha um bébe um pouco preguiçoso ... teimosa e sentindo que algo não estava bem ... resolvi colocar a minha filhota na natação aos nove meses ... lá em casa diziam que eu tinha a mania das doenças, que inventava doenças à minha filha ... mas provavelmente se me tivesse deixado ficar ela não seria o que é hoje ... com a natação rela começou a sentar-se, a segurar a cabecita e no Hospital disseram-me a meia voz que ela estava com um atraso motor ... mas para não me preocupar ... mas preocupei-me e começou a fazer fisioterapia particular ... pois o hospital achou que ainda era cedo demais ... é sempre cedo demais para eles ... se não fosse estar tão atenta ... (Continua)



terça-feira, 23 de setembro de 2008

Orgulho de ser mãe (I)

Imagem retirada da net
Depois de tudo o que passei durante estes anos, depois da dor, da tristeza, da mágoa da traição que a vida me pregou ... sinto orgulho, sim ... olho para a minha filha e sinto orgulho na pequena mulherzinha que ela se tornou ...
A vida tem sido amarga e triste para ambas ... quando engravidamos pensamos que tudo vai correr bem, idealizamos quase inconscientemente o nosso ideal de filho(a) e esperamos que ele nasça ... Nunca pensei sinceramente se preferia ter um rapaz ou uma rapariga, nunca me preocupei sequer com o seu nome, bastava-me vir saudável, bem ... mas como a vida é traiçoeira e quando tudo parecia correr bem algo falhou ... e infelizmente foi no momento do parto ... as coisas correram mal para mim e para ele(a) ... dois dias à espera de vir ao mundo ... dois dias que quase foram fatais ... dois dias porque estava enrolado(a) no cordão umbilical ...
Ambas não partimos deste mundo porque não tinha que ser ... a minha filha (é uma rapariga) nasceu apenas com 30 segundos de vida, quase por milagre estava a equipa de pediatria na urgência ... não por mim, mas por outra mãe ... Fui proibida de vê-la nas primeiras 24horas de vida, não sabia se ela era viva ou morta, apenas tinha visto a minha bébe a nascer roxa, sem chorar como um bocado de carne que cai em cima de algo ... jamais esquecerei esta imagem ... jamais esquecerei a fotografia que me entregaram com a minha filha toda entubada ... tinhas apenas 4 horas de vida ...
Sim ... sinto orgulho ... na minha filhota pela força que ela teve ao enfrentar a morte no momento em que nasceu ... sim ... sinto orgulho pelo seu sorriso e ar feliz ... sinto orgulho porque anda, fala e é uma criança inteligente ... Passei muito, chorei muito, houve dias que achei que era a pior mãe do mundo, a pior pessoa ... porque me tinha acontecido aquilo a mim? No primeiro mês de vida, a minha filha viveu no hospital ... não chorava, não mamava, apenas tomada doses excessivas de calmantes para não voltar a ter convulsões ... após vinte seis dias de vida chorou pela primeira vez e eu não estava lá ... após dois dias do parto fui enviada para casa e devido a um problema de saúde crónica passados quinze dias adoeci ... uma no hospital ... outra em casa ...
Apenas o que me diziam é que o minímo que podia acontecer à minha filha era ter um problema mental ... achei que Deus se tinha esquecido de mim ... achei que era a mulher mais pecadora deste mundo ... que o mundo tinha caído na minha cabeça, que tudo se tinha desmoronado ... mas no fundo tinha esperança ... restava uma luz de esperança ...
(Continua...)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Devagarinho ... vem a caminho ...

Foto retirada do Site Navegar na Ciência

O tempo começa a arrefecer, as manhãs começam a ficar mais frias e húmidas, as noites convidam a ficar em casa no quentinho a ver televisão, a ler um bom livro ou a navegar pela net ... Já apetece uma bebida quentinha, um café a fumegar, uma sopinha deliciosa ... Ao olhar para o roupeiro deparou-me a colocar de lado as roupas mais leves e fresquinhas, as blusas de alças vistosas, as saias de chita esvoaçantes ... apetece aconchegar as camisolas de lã, umas meias mais quentinhas ...

Apetece despedir-me da praia, da areia, do sol, do bronzeado, do cheiro a mar e dos sorrisos de Verão ... guardo religiosamente os meus biquinis até à próxima ida à praia, por agora só lá irei passear, matar saudades do som das ondas que teimam em beijar a areia ... Agora é tempo de vestir o fato de banho, ir para a piscina aquecida e dar umas belas braçadas durante umas horas ...
È tempo de recomeçar a rotina, as férias do Verão já lá vão ... de começar as aulas, o stress e de recomeçar as dietas pois o Verão foi amigo do pecado e da gula ...

Devagarinho ... o Outono vem a caminho ... as folhas começam a amarelecer e a cair lentamente ... como se pedaços da nossa memória esvoaçassem ao vento, como se bocados de nós teimassem em cair, cair no nosso esquecimento e nos preparássemos para uma nova vida, para uma nova etapa ... sim, como lentamente entrássemos num processo de mutação e de reiniciação pessoal ... despojados do passado que nos feriu e magoou, como se esvaziássemos o nosso coração de tudo de mau que nos aconteceu e empreendêssemos uma fase de novo reflorescimento ...

O Outono vem a caminho, mas com ele vem também mais tempo, mais disponibilidade para ficarmos em casa junto de quem amamos, olhando pela janela a chuva que teima em cair lá fora, o vento que sopra de forma ruidosa, o frio que gela o pensamento ... sentimo-nos protegidos e aconchegados ...
Devagarinho ... vem a caminho ... o Outono!